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"Faz 400 anos que o Brasil é um país emergente", diz Lêdo Ivo

EFE
Lêdo Ivo cobra uma poesia mais indignada com problemas sociais (10/10/2011) Imagem: EFE

25/11/2011 17h01

León, 25 nov (EFE).- O escritor brasileiro Lêdo Ivo reivindica uma poesia "mais humana" para reafirmar o indivíduo no mundo globalizado, onde as livrarias são "as mesmas" em Tóquio, em Madri e em Nova York, e onde o Brasil é tido como um país emergente há 400 anos.

Em entrevista à Agência Efe, Ivo defende, diante da "uniformidade" que propõem os novos tempos, um modelo de poesia comprometido com o indivíduo e a sociedade que, ao longo de sua trajetória, esteve marcada pela "terra", "floresta" e "origem".

Esse compromisso, que o fez assumir o rótulo de "poeta indignado", também é um dos motivos que o fez vencer o prêmio Leteo 2011, em setembro. Em 12 edições, o prêmio já destacou escritores como Paul Auster, Martin Amis, Michel Houellebecq, Amélie Nothomb, Fernando Arrabal e Antonio Gamoneda.

O fato de ter sido reconhecido pelo júri como um "poeta internacional" não deixa de surpreender Ivo, que se define como um "poeta municipal". Mas, de fato, o escritor nunca pensou que este prêmio pudesse exaltar um autor nascido nos "subúrbios do ocidente".

Falando sobre "a posição do poeta moderno no mundo atual", Ivo comenta que é contra aqueles autores que sentem nostalgia de épocas anteriores e as retratam como se fossem "paraísos perdidos".

Sua obra está longe da poesia pura e da "metapoesia", elaboradas para que só uma "imensa minoria" consiga ler. Através de seus versos, Ivo "celebra o universo", fala "da vida cotidiana", da condição humana e também da "impureza da vida".

"A poesia está muito elevada, mas muito longe dos homens", prossegue Ivo, ressaltando que o poeta moderno deveria se aprofundar mais no "mundo atual" e em suas experiências pessoais antes de querer "fazer poemas sobre a própria criação poética".

Segundo Ivo, é "fundamental" a lição que dão neste sentido os escritores espanhóis do Século de Ouro (XVI), como Francisco de Quevedo e Luis de Góngora, que se insultavam através dos versos. Mas, se recebiam um cesto de laranjas, também agradeciam com um poema. "Isso sim era muito real", ressalta.

Outro dos problemas que Ivo menciona possui uma ligação com a "espécie de clandestinidade" midiática e social que vive o poeta, cuja audiência - salvo exceções, como a de Pablo Neruda -, se limita às pequenas edições de 500 e mil exemplares, os prêmios literários, os festivais de poesia e alguns blogs na internet.

Em relação à poesia usando novas tecnologias e suportes, Ivo é claro: "Um poema em um livro reivindica atenção. Um poema no computador você lê e ele desaparece. Acaba se convertendo em uma coisa efêmera, um relâmpago". EFE

Javier de Miguel.

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