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Advogado de vítimas de escutas questiona imprensa britânica

Agencia EFE

16/11/2011 14h26

Londres, 16 nov (EFE).- O advogado David Sherborne, que representa 51 vítimas de escutas ilegais no Reino Unido, questionou nesta quarta-feira os padrões dos meios de comunicação britânicos, apesar de admitir que a prática dos grampos é característica da imprensa marrom.

Em sua declaração, Sherborne disse que embora a má experiência de seus clientes tenha sido "principalmente ou majoritariamente" com jornais sensacionalistas, "toda a imprensa deveria sentar-se no banco dos réus".

Sherborne é um dos que compareceu nesta quarta diante do juiz Brian Leveson, responsável pela investigação sobre o escândalo das escutas ilegais feitas por funcionários do extinto "News of the World", de Rupert Murdoch, e sobre os padrões do jornalismo.

O advogado acusou a imprensa britânica de ter seus próprios interesses, por isso questionou a capacidade de autorregulação, e a criticou por vender, roubar e fabricar histórias.

"A imprensa tem uma voz muito poderosa e não deveria afogar a voz das vítimas", manifestou.

"Ela (imprensa) tem interesses e prioridades... Trata-se de sobrevivência", acrescentou.

Segundo Sherborne, algumas vítimas já haviam sido perseguidas e difamadas por aceitar participar do processo de Levenson. O julgamento deve se estender por meses e vai contar com depoimentos de jornalistas, especialistas e famosos, como o ator Hugh Grant.

Na sessão desta quarta-feira também prestou depoimento o diretor do "The Guardian" - o jornal que denunciou o caso das escutas -, Alan Rusbridger, quem criticou as autoridades por não terem levado o caso a sério até o escândalo explodir neste ano.

O assunto veio à tona em 2007, com a prisão do correspondente da realeza do "News of the World", Clive Goodman, e do detetive particular Glenn Mulcaire por grampearem o telefone de membros da família real.

Neste ano, as denúncias aumentaram e descobriu-se que o jornal de Murdoch havia interceptado caixas postais de celulares não só de nomes públicos, mas de pessoas comuns, como parentes de vítimas de assassinatos e soldados mortos no Iraque e no Afeganistão.

Rusbridger declarou que essa postura foi "muito prejudicial" porque "abalou a confiança em todos os jornalistas".

Foi "muito chocante" porque revelou como opera uma das empresas de comunicação mais "poderosa e dominante", a News Corporation de Rupert Murdoch - matriz do jornal em questão -, assim como a falta de decisão da Polícia e do Parlamento para resolver o caso.

O diretor do "Guardian" apontou que a conclusão é que a hesitação das autoridades e da própria imprensa foi provocada pelo medo do poder de Murdoch, e que Leveson deveria "fazer recomendações quanto à propriedade da imprensa" para evitar monopólios "prejudiciais". EFE

jm/ms-dm

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