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"Sucesso é fazer as pessoas sentarem nas poltronas", diz Ridley Scott

Agencia EFE

03/11/2011 10h20

Mateo Sancho Cardiel.

Carcasona (França), 3 nov (EFE).- Após 45 anos de trajetória no cinema, na publicidade e na televisão, o britânico Ridley Scott admite que não há como separar a arte da indústria, afirmando que seu sucesso como profissional depende de "sentar as pessoas no sofá", o que aspira com sua nova série "Labyrinth".

Três vezes indicado ao Oscar, Scott apresenta agora sua terceira série de televisão - após "The Good Wife" e "Os pilares da Terra" - e se transfere à França para esmiuçar as apaixonantes páginas do best-seller "Labyrinth", de Kate Mosse. Mais tarde, a minissérie continuará sendo rodada na África do Sul.

"Sempre tive grande interesse por este material, pela densidade do 'Labyrinth', que é um quebra-cabeça maravilhoso. Embora as pessoas pensem que meu trabalho é muito glamouroso, eu passo a maior parte do meu maldito tempo lendo. Em uma página já sei onde querem me levar", declara o experiente diretor na cidade medieval francesa de Carcasona.

Como em "O Reino dos Céus", que rodou no castelo de Loarre (Huesca, nordeste da Espanha), as cruzadas medievais voltam a fazer parte de sua inspiração, embora esteja mais ligado aos trabalhos de produção, além da busca por heroínas para estrelar esta aventura entre arqueologia e barbárie histórica.

Assim como em "As Horas", de Stephen Daldry, e em "W.E.", de Madonna, duas mulheres separadas no tempo encontram uma mágica conexão: Alais Pelletier du Mas, que lutou por preservar o segredo do Santo Graal, e a contemporânea Alice Tanner.

Depois de "Thelma & Louise", Scott garante que não tem "nenhum problema com mulheres" e menos ainda "com estas duas", em referência as suas duas novas apostas britânicas: Jessica Brown Findlay, conhecida pela série "Downton Abbey", e Vanessa Kirby.

Embora seja considerado mestre na ficção científica, Scott reconhece que uma paixão pelas peças de época. "Não mudamos nada. Em situações extremas, como agressões políticas e, principalmente, nas guerras não importa em que século estamos. Não me importa se há uma espada ou uma pistola. Morte é morte", exaltou Scott.

Por outro lado, o tempo jogou a favor de um de seus filmes mais venerados: "Blade Runner - O caçador de Androides". "Eu tinha razão. Estava convencido de que era um grande filme e sabia o que tinha feito, porém, as pessoas odiaram. Não podemos nos preocupar com isso, pois temos de agradar a nós mesmos. De outra maneira, estaremos nos traindo", explicou o diretor britânico.

Acostumado a fazer filmes menos expressivos entre suas obras-primas, como "Alien - O Oitavo Passageiro" e "Até o Limite da Honra", Scott acabou adotando uma visão muito pragmática do "negócio" cinema, exaltando que quanto mais dinheiro investido mais se cobra do diretor.

"Uma grande quantidade de dinheiro é algo que nunca, nunca é certo. Se não funcionar, eles te matam primeiro e depois se matam", explica. Por isso, na série "Labyrinth", Scott delega a função de diretor ao amigo Christopher Smith. "Espero que faça bem, porque assim eu poderei jogar tênis. Se não, eu vou matá-lo e depois me matarei", repete.

Embora siga "patinando sobre gelo fino", o cineasta se diz feliz ao seguir seu lado profissional. "Nunca perdi a parte propagandista do meu cérebro, que me diz que tenho responsabilidade de investidor e que preciso atrair a atenção de todos, fazendo com que eles queiram assistir", revelou.

Apesar de estar envolvido na superprodução de "Prometheus", que será lançado em 2012, Ridley Scott exalta um momento difícil do cinema. "Quanto maior é o filme, mais difícil é convencer o estúdio a assumir esse risco. EFE

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