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Teatro Bolshói reabre após seis anos de restauração

28/10/2011 06h04

Ignacio Ortega.

Moscou, 28 out (EFE).- O lendário Teatro Bolshói de Moscou, templo do balé mundial, reabre suas portas nesta sexta-feira após mais de seis anos de restauração, em uma cerimônia que promete ser um dos principais eventos culturais do ano na Rússia.

"Quando fechamos o teatro para reforma, havia um risco de 70% de que o prédio desabasse", explica Anatoli Ixanov, diretor-geral do teatro, cuja famosa companhia começou a funcionar em 1776.

A reconstrução do grandioso edifício neoclássico, situado no coração de Moscou, a poucos metros do Kremlin, se transformou em uma questão de orgulho para a Rússia, que ama o balé tanto como a vodca e o caviar.

A cerimônia de reabertura será celebrada com um concerto de gala que pode ter a presença do tenor espanhol Plácido Domingo, além de dirigentes russos e europeus, tudo transmitido ao vivo por várias emissoras de televisão, pelo site YouTube e por 600 cinemas no mundo todo.

Ao longo dos anos, foram diversos os fatores - incluindo o bombardeio nazista - que colocaram em perigo o tesouro nacional russo, levando ao fechamento do histórico prédio do Bolshói em julho de 2005. Por isso, o Governo não exitou em gastar mais de US$ 700 milhões para rememorar 1856, quando, por ordem do czar Alexandre II, o teatro foi reconstruído depois de um grave incêndio.

Qualquer um que visite o Bolshói se sentirá em uma máquina do tempo que o levará diretamente aos tempos luxuosos do czarismo, quando tudo refletia ouro, desde as poltronas até os relevos das lâmpadas. Especialistas no banho de ouro aplicaram 4,5 quilos de papel de ouro para envernizar esculturas, murais e corredores.

Além disso, a reconstrução dobrou a superfície útil do teatro, "o que dará muito mais liberdade aos bailarinos e cenógrafos", conta à Agência Efe o subdiretor Antón Guetman.

Depois da reforma, o histórico edifício passará de uma superfície de 30.366 metros quadrados para 72.830 graças à criação de novos palcos, camarins e depósitos subterrâneos, além de uma nova sala de concertos para 330 espectadores.

O palco principal, que recuperou seu lustre de duas toneladas e 6,5 metros de diâmetro, e o pano de fundo de mais de 700 quilos, contará com várias plataformas com guindastes, que permitirão mudar mecanicamente o cenário em questão de minutos, sem que o espectador tenha tempo de piscar.

Um dos principais objetivos da restauração era recuperar a genuína acústica do Bolshói, que, segundo alguns especialistas, foi quase totalmente perdida devido às reformas soviéticas nas quais se utilizou concreto armado. Agora, segundo Guetman, usou-se "uma madeira igual ao original (de 1825)", ou seja, painéis de madeira que tem um timbre único e reproduz o eco como nenhuma outra.

Para maior comodidade dos espectadores, o teatro também reduziu sua capacidade de 2,1 mil lugares para 1.720, rendendo além disso mais espaço para a orquestra, que agora comporta 135 músicos.

A reconstrução do Bolshói não esteve isenta de escândalos devido aos vários empecilhos urbanos colocados pelo prefeito de Moscou Yuri Luzhkov, o que prolongou a conclusão da obra, prevista em princípio para 2009. A Procuradoria abriu uma investigação sobre o suposto desvio de verbas públicas destinadas à reconstrução do edifício, acusação negada pela direção do teatro.

Além disso, seu diretor musical, Alexander Vedernikov, renunciou em julho de 2009 por causa da intervenção de burocratas e, em março deste ano, o chefe da companhia de bailarinos do teatro desde 2003, Gennady Yanin, renunciou depois de um escândalo sexual em que fotos eróticas suas apareceram na internet.

Nem mesmo os ditadores soviéticos Lênin e Stalin puderam resistir aos encantamentos do balé burguês, e a companhia do Bolshói tornou-se no século XX um dos símbolos do espírito russo.

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