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Historiador arrecada dinheiro no Twitter para reformar catedral no México

Magaly Herrera

De Puebla, no México

25/10/2011 06h07

Um historiador mexicano da cidade de Puebla utiliza as redes sociais do século XXI para financiar a restauração do acervo da catedral desta localidade mexicana levantada no século XV e que sofreu com a passagem do tempo.

Através de tuítes que escreve em espanhol, francês, italiano, inglês e português, o historiador Alejandro Montiel Bonilla está desenvolvendo uma campanha mundial para arrecadar fundos destinados à catedral de Puebla, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1987.

"É uma ação local, mas os leitores são mundiais", disse à Agência Efe Montiel.

De sua conta @montielbonilla, o historiador já conseguiu arrecadar mais de 350 mil pesos (cerca de US$ 27 mil) desde que começou sua campanha para promover o valor cultural e histórico do monumento, tuitando com o lema #salvemoscatedraldepuebla.

O acervo dessa catedral é considerado pelas autoridades eclesiásticas e pelo Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) como o maior da América Latina. Inclui pinturas, retábulos, textos, livros e ferrarias, tudo isso em visível deterioração.

Mediante sua campanha, o historiador se dedica a arrecadar fundos a qualquer hora do dia, pedindo a políticos, funcionários e artistas que se somem a seus esforços para resgatar os bens da catedral de Puebla.

"O que faço é dizer: Eu, porque sou apaixonado pela catedral, estou doando 20 mil pesos do meu dinheiro para salvar sete livros do coro e com isso fazer um fundo", relata Alejandro, até ano passado secretário de Cultura do Governo de Puebla.

Apesar de muitos tuiteros qualificarem sua iniciativa como "religiosa" e questionarem que promova o uso de recursos públicos para a restauração de um monumento religioso, nove legisladores e um secretário de Estado, a título pessoal, já doaram dinheiro.

Embora tenha começado como uma campanha espontânea no Twitter, posteriormente tomou forma de um programa oficial com metas concretas, a primeira das quais é restaurar sete livros do coro da catedral para elaborar catálogos digitais.

A coleção completa compreende 118 tomos que documentam o repertório de música eclesiástica composta de forma exclusiva para a catedral de Puebla e que permanecem guardados há três séculos.

O padre reitor da catedral de Puebla, Francisco Vázquez, disse à Efe que nos depósitos do templo há cerca de cinco mil caixas de textos, pinturas, livros e artigos que documentam a história de Puebla, inclusive do México, nos últimos três séculos.

Mas também lamentou que não haja recursos para classificar e restaurar todo este material.

"Definitivamente, o dia que abrirem os arquivos da catedral de Puebla, grande parte da história do México será divulgada com dados reais, sobre alianças econômicas e de longo prazo entre oligarquias e a nobreza indígena. Tudo está lá", diz Alejandro.

Para a legisladora local Josefina Buxadé, esta iniciativa acontece em um momento oportuno porque os usuários das novas tecnologias veem na campanha um exemplo de organização em benefício de qualquer outra nobre causa.

Josefina e outros legisladores de diferentes forças políticas fizeram sua contribuição de 20 mil pesos (cerca de US$ 1.500) para participar desta campanha, da mesma forma que o secretário de Educação Pública do Governo de Puebla, Luis Maldonado, que prometeu assumir o custo da restauração de dois livros do Coro, o qual se estima entre 40 mil e 45 mil pesos cada um.

Embora a campanha unicamente seja realizada através do Twitter, alguns cidadãos se interessaram em contribuir com latas de tinta, galões de impermeabilizante, horas em mão de obra e outros insumos básicos que, segundo o iniciador deste movimento "ultrapassaram suas expectativas, mas aumentaram seu ânimo".

Uma vez atingida a primeira meta de restaurar os sete livros do Coro, a ideia de Alejandro ambiciona resgatar a coleção musical completa.

Depois, talvez, organizar a restauração da obra pictórica por autor, classificar os documentos e livros, renovar paredes e retábulos banhados em ouro de 24 quilates e recuperar as molduras do século XVI e XVII que uma praga de traças devorou.

Apesar de o próprio historiador reconhecer que é uma tarefa imensa, todos os dias pede a seus 708 seguidores no Twitter que ajudem a divulgar através de suas contas pessoais esta campanha que, pelo menos em Paris, conseguiu chamar o interesse de alguns estudantes de línguas clássicas.

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