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Neta de Jorge Amado leva "Capitães de Areia" ao cinema

07/10/2011 18h03

(Corrige 8º parágrafo)
Manuel Pérez Bella.

Rio de Janeiro, 7 out (EFE).- "Capitães de Areia", um dos mais famosos romances de Jorge Amado (1912-2001), chega à grande tela dirigido pela neta do escritor, a cineasta Cecília Amado, próximo ao centenário de nascimento do baiano no ano que vem.

O filme estreia nesta sexta-feira em todo Brasil e simultaneamente será apresentado no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, um dos mais importantes da América Latina, que começou nesta quinta-feira.

"Capitães de Areia" é o primeiro longa-metragem da diretora, que tentou se apegar o máximo possível ao texto literário publicado em 1937 e considerou o avô ousado por mergulhar na temática da pobreza infantil, uma dura realidade que até então os autores brasileiros não tinham se atrevido a retratar.

A história relata as aventuras de meninos de rua que se veem obrigados a se organizar e a recorrer a pequenos roubos para sobreviver na cidade de Salvador dos anos 1930, uma época na qual a capital da Bahia estava imersa na extrema pobreza e em um ambiente sufocante.

No transcurso de suas aventuras, os protagonistas descobrem fragmentos da vida adulta, como o sexo, o amor, as traições, a morte e a privação da liberdade, que é no fim das contas o maior tesouro para este grupo de crianças.

Cecília Amado reproduz o tom carinhoso e a ternura usados por seu avô para tratar os "capitães", meninos entregues a uma alegria desbocada, vítimas de um sistema que os privou de esperança e os jogou na delinquência.

Também é fiel a ambientação de uma Salvador paupérrima e tropical, com todos seus componentes mágicos procedentes da cultura africana, seus ritmos, a capoeira e o candomblé, culto religioso com considerável peso na trama.

No entanto, Cecília Amado às vezes se distrai demais na construção da atmosfera asfixiante que empapa de suor o espectador, em detrimento do ritmo da história e da elaboração mais profunda de personagens que ficaram reduzidos a esboços.

A tentativa de ser fiel ao romance leva a diretora e roteirista a incluir tramas menores do livro que, por falta de tempo, são narradas de forma apressada e a tropeções.

O protagonista e líder do bando, Pedro Bala, é o que recebe um tratamento mais pormenorizado, mas seu processo de amadurecimento acaba atropelado pela velocidade dos eventos no desenvolver do filme.

O maior acerto da autora é seu poderoso e vívido retrato das enormes brechas sociais da Bahia e do drama profundo que enfrentavam os meninos mendigos, uma situação que infelizmente ainda é bem real nos dias de hoje
O romance teve sua primeira edição censurada durante o Estado Novo, regime imposto por Getulio Vargas entre 1937 e 1945 e que se opôs ferrenhamente ao comunismo, corrente da qual Amado era militante.

Agora o livro é leitura obrigatória nas escolas de ensino médio do país, foi traduzida para 15 idiomas e vendeu cerca de cinco milhões de exemplares no mundo todo.

A história foi adaptada ao cinema pela primeira vez em 1971 pelo diretor americano Hall Bartlett sob o título "The Sandpit Generals" e também já teve versões no teatro e na televisão.

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