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Cinzas de mortos são usadas por artista em exposição em Praga

AFP
Homem observa retratos feitos com cinzas de mortos feitos pelo pintor tcheco Roman Týc em exposição em Praga (27/09/2011) Imagem: AFP

Gustavo Monge

De Praga

03/10/2011 06h16

A morte como inspiração artística adquire uma radical dimensão na exposição do pintor tcheco Roman Týc, na qual usa cinzas de mortos como matéria-prima para criar retratos.

"Grave Robber" (Ladrão de túmulos, em tradução livre) é o provocativo título desta mostra, exibida na galeria Dvorak Sec Contemporary de Praga até o dia 25 de novembro.

A exposição conta com 19 quadros, nos quais Týc utilizou a técnica da autotipia, na qual resinas translúcidas ficam impregnadas com as cinzas para permitir que se veja o contorno e os traços dos rostos. Trata-se de uma técnica muito utilizada pelo pai da Pop Art, Andy Warhol, mas que agora acrescenta a novidade de usar cinzas humanas.

Para compor as obras, Týc recolheu cinzas que depois da cremação não cabem nas urnas fúnebres e são descartadas. Em todo caso, a galeria não quis especificar a maneira como o autor da mostra obteve esses restos humanos, e inclusive não descarta que tenham sido roubados.

"Quando uma pessoa perde a mãe aos 6 anos, ela a percebe como uma urna de latão de dois quilos e, pelo resto da vida, apenas a partir de fotos. Então, assim como as crianças, você acredita que existe uma maneira de libertá-la dessa lata, e não só ela", justificou Týc a respeito da motivação desta polêmica técnica criativa.

Os modelos dos retratos são inspirados em fotos reais de mortos tiradas dos mesmos cemitérios e crematórios onde o artista obteve as cinzas.

"São retratos de gente de meia idade, tchecos e estrangeiros. Não há nenhum jovem, para que não possam ser identificados facilmente por serem mais próximo a nós", explicou à Agência Efe Edmund Cucka, diretor-executivo da galeria.

Também não existe relação entre os retratados e os materiais, os nomes das pessoas nem sequer aparecem e são expostos quase sempre rostos estilizados.

Outra peça exibida na exposição é uma bomba feita com fragmentos de lápide que o artista encontrou em um contêiner, depois que os respectivos túmulos foram desmantelados por falta de pagamento das taxas de enterro pelos familiares.

Desta maneira, o autor tenta reconstruir um relato imaginário de pessoas e despertar um sentimento de piedade, a partir do pouco que resta no final dos dias.

"Acertamos que estes quadros não estão à venda. Não comercializamos a morte", acrescentou Cucka.

Týc, que se apresenta apenas com este pseudônimo, realizou há alguns anos um polêmico projeto com semáforos urbanos em Praga, que está a ponto de levá-lo à prisão.

O pintor, que faz parte do coletivo "Ztohoven", trocou as lentes verdes e vermelhas de 42 semáforos no centro da capital tcheca e as substituiu por outras com desenhos curiosos.

Entre as imagens que usou havia uma mãe com seu filho, um enforcado, um Cristo, uma pessoa urinando, um bêbado, até um total de 12 figuras.

"O processo acabou e a sentença é inapelável. Caso não pague a multa, deverá passar um mês na prisão. O artista espera receber a notificação e está disposto a ir à prisão. Apesar de se considerar inocente, acredita que é moral sofrer essa pena", relatou Cucka.

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