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Igreja russa acusa "Lolita" e "Cem Anos de Solidão" de incitar pedofilia

Bernardo De Niz / Reuters
O escritor Gabriel García Márquez, autor de "Cem Anos de Solidão" Imagem: Bernardo De Niz / Reuters

28/09/2011 14h32

Moscou, 28 set (EFE).- A Igreja Ortodoxa Russa (IOR) acusou nesta quarta-feira as obras "Lolita", do russo Vladimir Nabokov, e "Cem anos de solidão", do colombiano Gabriel García Márquez, de incitar a pedofilia.

"Nessas obras as paixões depravadas são idealizadas, fazendo mal às pessoas", afirmou Vsevolod Chaplin, representante da IOR, consultado pelas agências russas.

Chaplin considera que "a popularização dessas obras nas escolas não contribuem para a saúde moral das pessoas".

O religioso criticou "as cínicas e monstruosas tentativas de justificar a pedofilia na Rússia atual" e acrescentou que a IOR tem "direito a julgar do ponto de vista moral qualquer expressão artística, nova ou antiga". "É necessário rever a relação com a moral social, em particular com a depravação sexual", ressaltou.

As afirmações foram muito criticadas pelo escritor, historiador e político da oposição, Eduard Limonov.

Já o jornalista e apresentador Nikolai Svanidze garantiu que, se a IOR estiver certa, será preciso analisar toda a literatura universal desde Homero, incluindo a russa, por seu conteúdo de violência, pedofilia e outras coisas inaceitáveis. "Daí para a queima de livros nas praças é um passo", afirmou.

A IOR aumentou consideravelmente sua influência na sociedade desde que o atual primeiro-ministro, Vladimir Putin, chegou ao poder em 1999, que anunciou no sábado passado que voltará ao Kremlin no próximo ano sem vencer as eleições.

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