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Artistas mexicanos apresentam aos cambojanos a arte da estampagem

Laura Villadiego

De Phnom Penh

29/08/2011 09h21

O grupo mexicano "La Buena Impresión" apresentou aos cambojanos diferentes técnicas de estampagem graças a uma máquina de impressão específica para esta disciplina na Universidade Real de Belas Artes de Phnom Pehn.

"La Buena Impresión" chegou ao Camboja com um projeto para formar jovens estudantes nas técnicas de estampagem por meio de uma oficina que inclui lições de História da Arte e que acabou abrindo um novo mundo artístico aos alunos, além de contribuir para ajudá-los a descobrir sua identidade khmer.

"Nunca tiveram uma prensa deste tipo no Camboja, portanto não havia tradição. Tudo era feito à mão", disse o mexicano Fernando Aceves, um dos principais impulsores da iniciativa.

Este grupo é formado por Francisco Castro, Nicolás Guzmán, Lydia Parasol, Doctor Lakra, Irais Esparza e o próprio Aceves
"A arte é importante em períodos de reconstrução de uma nação porque ajuda a encontrar a identidade coletiva", afirma Aceves, em referência ao regime do Khmer Vermelho, que matou cerca de dois milhões de pessoas entre 1975 e 1979 e cujas seqüelas ainda perduram no país.

A oficina Oaxaca, batizada em homenagem a uma das regiões com maior tradição de gravura no México, é um fervedouro de alunos e professores atraídos pela inovadora técnica, apesar de a Universidade Real de Belas Artes, onde se situa, estar em período de férias.

A máquina de impressão para gravuras, que pesa 390 quilos, domina uma singela sala de aula de paredes brancas decorada apenas com um grande quadro-negro e manchas de tinta que ficaram após três meses de prática.

Ao seu redor, em mesas e carteiras dispostas sem uma ordem lógica, os alunos trabalham em diferentes processos da composição de gravuras, desde a criação do desenho à impressão.

As novas técnicas são mais complexas que as conhecidas por estes cambojanos e os futuros artistas se dedicam para aprimorar suas habilidades em desenho e cinzelado.

"Levo quase uma semana para fazer todo o processo", afirma Seat Sopheap, de 22 anos, enquanto esboça em uma prancha de metal um Sun Wukong, lenda da cultura cambojana, que depois terá que imprimir.

"É muito difícil porque se eu errar enquanto estou fazendo o cinzelado, a prancha fica imprestável. Portanto, não há margem de erro", afirma o jovem artista, que corrige continuamente seus traços.

A inovadora técnica enlaça com os baixos-relevos que decoram os famosos templos cambojanos de Angkor, construídos entre os séculos 9 e 15, cujo processo de gravura ainda é ensinado em salas de aula e oficinas.

A cor marrom lavado da rocha se transforma, no entanto, em um intenso contraste de branco e preto que dá aos motivos uma aura mais enigmática.

Neak Sophal trabalha com zelo o olho de uma mulher mais velha que usa um krama na cabeça, o lenço tradicional cambojano.

"Fiquei surpreso com os resultados. É como fazer a mesma coisa de sempre só que com mais vigor, ficando então mais expressivo", afirma a jovem que estuda para se tornar uma designer gráfica.

Seu amigo, Ly Karim terminou sua prancha e a besuntou generosamente com tinta para depois retirar o excedente a fim de evitar que o papel fique encharcado durante a estampagem.

A prancha encaixada entre duas folhas de papel entra na máquina e sai com a imagem impressa.

"É uma técnica nova aqui, mas tem muito potencial. Acho que é possível encontrar um nicho de mercado entre turistas e cambojanos de classe alta para preservá-la", assegura Aceves, enquanto limpa sua roupa suja de tinta.

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