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Tango "ilegal" causa furor nas ruas de Paris

Hugo Passarello

De Paris

19/08/2011 10h03

Clandestinamente e por meio de listas de e-mails, um grupo de parisienses organiza várias vezes por semana e sem a autorização das autoridades de Paris "milongas ilegais" ao ar livre, com a participação de dezenas de casais.

Como em seus anos de ouro, essa dança volta a fazer sucesso em Paris não só nos cabarés, mas também nas ruas e nos lugares mais emblemáticos da capital francesa, como a esplanada em frente à Ópera Garnier, o pátio central do Palácio Real e inclusive, às margens do rio Sena.

A atração tempera os pontos turísticos com um pouco de irreverência, já que as milongas não contam com o sinal verde das autoridades da cidade e, portanto, são "milegales", trocadilho adotado pelos organizadores.

Centenas de pessoas estão cadastradas na lista de e-mail coordenada pelos franceses Fabrice Ballion e Tonton Jojo, que enviam uma mensagem um dia antes ou poucos instantes antes do início anunciando o local e em hora onde será o encontro.

"Quando começou, há mais ou menos dois anos, o grupo era pequeno, de dez a 15 pessoas, e pouco a pouco esse núcleo aumentou. As pessoas comentavam, e então se inscreviam nas listas. Depois a propaganda boca a boca correu, e rapidamente mais interessados apareceram", detalha Ballion à Agência Efe.

Cada milonga conta, em média, com a participação de 50 casais de todas as idades, que chegam discretamente de vários cantos de Paris sempre atentos para sair rapidamente caso a Polícia apareça e ameace confiscar o equipamento de música.

"Geralmente a Polícia é muito compreensiva. Não viemos para brigar, viemos para dançar e curtir um bom momento", disse uma dançarina de tango italiana de 70 anos, que prefere não se identificar, mas confessa que quando os agentes chegam para cancelar o 'baile', sai correndo.

Os jovens também estão presentes, atraídos pelo tango por diferentes razões, como o caso de um argelino que mora em Paris e conheceu o ritmo platino por meio do filme "Perfume de Mulher", quando Al Pacino dançou ao som de "Por una Cabeza", de Carlos Gardel.

"Toco violão e há muito tempo me interesso pelo folclore argentino, como 'la chacarera'. Depois quis aprender a tocar tango, mas para conseguir fazer isso tive de aprender a dançar primeiro. Agora que aprendi, não toco mais", disse o jovem à Efe.

Outro 'tanguero', de 40 anos, que participa das milongas desde o início, confessa que a ilegalidade dá um "toque picante" e "reaviva o interesse" pela dança.

Para este homem, de nacionalidade francesa, o tango é um vício. "Tem uma grande carga emocional, do casal e a música, e transforma a nossa vida", afirmou.

Tamanho é o sucesso dos encontros que os organizadores já não buscam a permissão das autoridades, mas preferem preservar o aspecto transgressor e planejá-los em locais de forma espontânea.

"Deve continuar assim, selvagem, pirata e improvisado. Não queremos pedir a autorização necessária para ninguém", afirmou Ballion, para quem a vantagem de realizá-las ao ar livre é o fato de serem gratuitas: "não queremos que ninguém tenha de pagar para dançar tango".

Para escolher o melhor lugar de Paris para dançar, as opiniões coincidem que não há nada melhor do que o piso da esplanada da Ópera Garnier, no coração da cidade, além da superfície de mármore do Trocadero, que permite deslizar com mais facilidade, sob a presença imponente da Torre Eiffel.

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