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Argentina lança 1º jornal voltado para público travesti

Maricel Seeger

18/08/2011 11h46

Buenos Aires, 18 ago - Com artigos sobre as próprias experiências, entrevistas e até brincadeiras, um grupo de travestis edita na Argentina um jornal, "El Teje", a primeira publicação dirigida para este público na América Latina que tem como fim desmistificar os estigmas contra uma comunidade cercada por preconceitos.

O periódico semestral "El Teje" é o resultado da oficina de Crônica Jornalística que recebe semanalmente mais de dez travestis no Centro Cultural Rojas, vinculado à Universidade de Buenos Aires (UBA), a maior da Argentina.

"Esta iniciativa tem como objetivo capacitar e fortalecer a comunidade travesti para enfrentar a discriminação e buscar desmistificar certos preconceitos na sociedade para que se torne mais pluralista", disse à Agência Efe a diretora do jornal, Marlene Wayar.

Marlene afirmou que a publicação visa a inclusão social de travestis, que em boa parte são obrigados a se prostituir "por falta de emprego e de oportunidades".

O periódico é distribuído na sede do centro cultural, em organizações feministas, homossexuais e lésbicas de Buenos Aires e no interior, além de hotéis onde membros da comunidade exercem a prostituição, uma atividade proibida por lei no país.

A capacitação de transexuais fomentada por esse projeto pode ajudar ainda na promoção do respeito pela identidade deste público que tem dificuldade de conseguir emprego, mesmo tendo diploma universitário.

"É difícil que se tornem médicos, por exemplo, já que mesmo após seis anos de estudo, nenhum hospital vai querer admiti-los", afirmou Marlene, uma das fundadoras da Red Trans de Latinoámerica y el Caribe "Silvia Rivera".

"Há alguns que trabalham como cozinheiros e em bares, mas é uma mudança cultural muito complexa", acrescentou.

A diretora da publicação advertiu que, "de fato, há uma expectativa de vida de 35 anos na comunidade porque os travestis não vão ao hospital ou aqueles que vão não voltam por terem sofrido maus-tratos".

Com tamanho reduzido e produzido em várias cores, o jornal contém seções fixas, como "Cuéntame tu vida", na qual integrantes da comunidade relatam suas experiências e divulgam informações sobre espetáculos.

Entre os colaboradores, pagos para cada artigo que produzem, está Malva, um travesti de 90 anos que enfrentou a perseguição dos homossexuais e transexuais praticada por vários governos, segundo ela.

"Poder viver em liberdade não tem preço. É mais importante que comer todos os dias", afirmou Malva, que frequenta um curso de crônica jornalística.

O "El Teje", que já está em seu 6º número, também incluiu relatos sobre "o pesadelo" que é para esse público votar com uma identidade diferente de sua aparência.

"Nossa comunidade foi sempre discutida pelos outros. A psiquiatria e as ciências jurídicas nos relacionaram com patologias, além de terem nos criminalizado", disse Marlene.

Dessa forma, o "El Teje" procura refletir em detalhes as realidades enfrentadas pelos travestis, o que se traduz desde a escolha do nome, "uma palavra muito significativa na linguagem travesti" local, afirmou a diretora da publicação.

O jornal também aborda temas que podem interessar ao setor, como a constituição de uma família e o casamento homossexual, aprovado no ano passado pelo Parlamento da Argentina, o primeiro país da América Latina a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

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