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Tragédias mexicanas protagonizam "Encontros de Fotografia de Arles"

05/08/2011 15h10

Paris, 5 ago (EFE).- A impactante e violenta mostra "101 tragédias", do fotógrafo mexicano Enrique Metinides Tsironides, é uma das grandes atrações da 42ª edição dos Encontros de Arles, festival de fotografia mais importante da França.

O diretor-artístico François Hébel disse à Agência Efe que, a princípio, teve "medo de que as pessoas reagissem mal às fotografias de Metinides, mas até agora não houve nem uma só queixa".

A mostra do mexicano recupera o olhar sobre as tragédias urbanas cotidianas como acidentes aéreos, de automóvel, de trem, homicídios, suicídios e afogamentos, entre outros, que foram fotografados ao longo da vida profissional de Metinides (México DF, 1934) e publicadas em jornais e revistas sensacionalistas do México.

Segundo Hébel, "o público se surpreendeu pela violência que emerge das imagens de Metinides, mas compreendeu que o exibimos em Arles porque é um fotógrafo da imprensa diária muito diferente dos outros. Metinides está mais próximo do cinema que do jornalismo, consegue fazer algo muito peculiar com a fotografia e isso é justamente o que procuramos em nosso encontro".

Os organizadores ressaltam também o aspecto humano de seu trabalho e explicam que "suas fotos são frequentemente uma prova de humanismo, de um sentido do detalhe e de uma consciência do acidente, mas também do contexto cultural, que diferenciam Metinides do sensacionalismo contemporâneo".

Em recente entrevista, Metinides disse que suas "primeiras fotografias de corpos foram tiradas em uma delegacia, quando tinha menos de 11 anos, na qual o deixaram retratar os mortos e os detidos", e declarou, além disso, que nunca estudou fotografia ou se especializou em arte.

Uma das imagens mais comoventes é a morte de uma bela e conhecida jornalista que foi atropelada nas ruas da Cidade do México e que, apesar de ter o corpo desmembrado, mantém uma beleza glamourosa que foi admirada por um grupo de "observadores curiosos", onipresentes na obra de Metinides.

Em outra ocasião, em um estádio na Cidade do México, conseguiu captar o momento em que dois agentes convencem um homem de 45 anos a não se suicidar, que depois explicou que "queria saber como seria morrer".

Metinides, filho de imigrantes gregos, cobriu 189 acidentes aéreos em 49 anos de carreira, todos no México, já que nunca saiu do país, nem ao menos para assistir a exposições de sua obra na Europa e nos Estados Unidos, por ter medo de voar.

O encontro reúne também os fotógrafos mexicanos Dulce Pinzón, que conta por meio de imagens "a verdadeira história dos super-heróis", aqueles que sacrificam suas vidas para tentar salvar os demais, a partir da perspectiva de uma mexicana que se mudou para Nova York; e Fernando Montiel Klint, que explora os "atos de fé" da vida contemporânea.

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