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Casablanca, no Marrocos, teme por seu patrimônio

EFE
Hotel Lincoln, edifício emblemático situado desde 1912 em Casablanca, no Marrocos (02/08/2011) Imagem: EFE

Xavier Parrilla

De Casablanca

05/08/2011 06h03

Assediada pela especulação imobiliária, a cidade marroquina de Casablanca vê com preocupação parte de seu patrimônio arquitetônico, um dos mais importantes do século XX, cair literalmente aos pedaços.

Na atualidade pesa mais o interesse dos proprietários de palácios, hotéis e imóveis representativos do art-déco e do estilo neomourisco em não investir do que gastar com sua restauração, uma vez que preferem que eles sejam demolidos - tudo isso com o aval da Justiça e das autoridades locais.

O antigo Hotel Lincoln, um edifício emblemático situado desde 1912 no coração da metrópole norte-africana, apresenta atualmente o aspecto próprio de um lugar bombardeado.

Em 1989 foi fechado ao público após perder parte de sua fachada e, após longa batalha com os proprietários, as autoridades marroquinas o expropriaram em 2009.

Desde então, este símbolo da arquitetura casablanquense espera para ser restaurado e destinado a um novo fim, sem que se conheçam por enquanto planos concretos nem prazos para sua execução.

A poucos metros do Lincoln estava desde 1922 o edifício Pliot-Templier, joia neomourisca e art-déco que no último dia 16 de julho sucumbiu finalmente à força das escavadeiras.

Substituído por um solar de centenas de metros quadrados cheio de entulhos no meio de um grande bulevar, a promotora que estimulou a demolição prevê construir no local um edifício de seis andares sem respeitar a singularidade da avenida, considerada um conjunto arquitetônico excepcional.

"Nos últimos anos houve um grande esforço para proteger o patrimônio da cidade. É a primeira vez que se destrói um edifício protegido", lamentou o arquiteto Abderrahim Kassu, presidente da associação pela preservação do patrimônio arquitetônico.

O Pliot-Templier tinha sido inscrito em janeiro de 2011 na lista de monumentos nacionais do Marrocos do Ministério de Cultura, mas o prefeito de Casablanca, Mohammed Sajid, autorizou em maio passado a destruição do imóvel.

Sajid, que afirmava desconhecer que o edifício tinha sido protegido por seu valor arquitetônico, alegou recentemente que se viu obrigado a autorizar a demolição por uma sentença judicial.

A demolição do Pliot-Templier é o enésimo episódio de uma luta que envolve promotores imobiliários, atores políticos e sociedade civil, e que nos últimos 15 anos foi marcada pela destruição de vários imóveis valiosos e pela proteção individual de outros, como o Lincoln ou os Antigos Matadouros.

O diretor da Escola Superior de Arquitetura da cidade, Abderrafih Lahbabi afirmou à Agência Efe que a solução para salvar o legado arquitetônico de Casablanca passa por "destinar dinheiro a apoiar o povo que quer conservar o patrimônio".

A também arquiteta Jacqueline Alluchon defende igualmente a proteção global da arquitetura da cidade e considerou que a situação continuará igual "até que não haja uma visão política clara que a preservação faz parte de um projeto de futuro".

"Os investidores devem se somar à visão que o patrimônio pode ser rentável economicamente", declarou Jacqueline.

Enquanto isso não acontece, a capital econômica do Marrocos pode ver como a Unesco acaba por rejeitar uma eventual candidatura para reconhecer sua riqueza arquitetônica como patrimônio da humanidade.

E, principalmente, como arrisca perder sua fisionomia, suas fachadas e imóveis que lhe dão certo ar sedutor e decadente, substituídas por edifícios com os quais se procura tirar proveito econômico imediato.

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