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Murdoch pede perdão enquanto seu império global balança

16/07/2011 09h32

Patricia Souza.

Londres, 16 jul (EFE).- Rupert Murdoch pediu desculpas neste sábado pelo escândalo dos grampos telefônicos em seu conglomerado de comunicação em uma tentativa desesperada de controlar a espiral que ameaça seu império e que em 24 horas custou a cabeça de dois altos executivos.

"Pedimos desculpas", diz uma mensagem pessoal publicada neste sábado por Murdoch de página inteira em sete jornais do Reino Unido, a três dias de comparecer diante da Câmara dos Comuns para falar sobre as escutas ilegais de políticos, famosos e até vítimas de crimes do já extinto tablóide "News of the World".

O presidente e executivo-chefe da "News Corporation", que reúne veículos como os americanos "Fox Television" e "Dow Jones" e os britânicos "The Times" e "The Sun", admite em sua mensagem que atuaram tarde, reconhece que "pedir perdão não é suficiente" e promete "medidas concretas" iminentes em resposta à crise.

É a segunda demonstração de humildade do empresário, de 80 anos, depois de na véspera pedir desculpas pessoalmente à família de Milly Dowler, uma menina assassinada que teve seu celular grampeado pelo dominical "News of the World" em busca de informações exclusivas.

A divulgação dessa notícia, no dia 4 de julho, desencadeou a grave crise do império Murdoch, investigado em ambos os lados do Atlântico por práticas jornalísticas ilegais e que em uma semana teve de renunciar ao dominical e ao interesse da compra total do canal de televisão britânico "BSkyB".

Nos Estados Unidos existe uma investigação por supostas escutas ilegais a vítimas do 11 de setembro, ataque terrorista de 2001. Já no Reino Unido serão abertos processos policiais, judiciais e de ética jornalística pelo escândalo.

Nesta sexta-feira, o último capítulo do drama teve nomes próprios, os da britânica Rebekah Brooks e o americano Les Hinton, dois de seus mais estreitos colaboradores que Murdoch sacrificou após 22 e 52 anos de serviços prestados, respectivamente.

Brooks, que dirigia o "News of the World" na época das escutas, coordenava agora a "News International", braço britânico do grupo e Hinton, que ocupou esse posto no passado, atuava como presidente da agência "Dow Jones" e editor do "The Wall Street Journal".

Suas saídas deixam sozinho diante da crise o magnata e seu filho James Murdoch, de 38 anos e atual presidente na Europa da "News Corporation", após ter dirigido a "News International" entre 2007 e 2009.

O escândalo dos grampos telefônicos do dominical "News of the World" tem ramificações jornalísticas, políticas, judiciais e econômicas.

Vários supostos envolvidos estavam muito perto do poder, especialmente Andy Coulson, chefe de imprensa do primeiro-ministro, David Cameron, que renunciou em janeiro pelo escândalo. Ele foi detido há uma semana e está em liberdade condicional.

O jornal "The Independent" publica nesta sábado que Cameron reuniu-se 26 vezes com executivos da "News Corporation" nos 15 meses em que está no poder, entre eles o próprio Rupert Murdoch, seu filho James, Rebekah Brooks e Coulson, quando este já havia renunciado.

O convite a Coulson foi algo "normal e humano" por parte do primeiro-ministro, opinou neste sábado o titular de Relações Exteriores britânico, William Hague.

Os meios de Murdoch, especialmente o sensacionalista "The Sun", o tablóide mais vendido do Reino Unido, apoiaram o conservador Cameron em sua campanha eleitoral.

Desde o recrudescimento do escândalo, os tories distanciaram-se de Murdoch e foram os trabalhistas os encarregados de botar lenha na fogueira.

Neste sábado, o ex-vice-primeiro-ministro trabalhista John Prescott, um dos espionados pelo "News of the World", diminuiu a importância do pedido de desculpas público de Murdoch e o relacionou com a proximidade de seu comparecimento ao comitê dos Comuns.

"Estamos falando de um homem desesperado para salvar sua empresa e que teme o afundamento de seu império", disse Prescott à rede pública britânica "BBC".

Os dois Murdoch e Rebekah Brooks deverão apresentar-se na terça-feira, dia 19 de julho, ao Comitê de Meios de Comunicação da Câmara dos Comuns para explicar as atividades jornalísticas ilegais do "News of the World".

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