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Paris expõe 1ª grande retrospectiva sobre criador dos Smurfs

Javier Albisu

Da EFE, em Paris

15/07/2011 06h01

A primeira grande retrospectiva sobre o pai dos Smurfs, o belga Pierre Culliford, exibe em Paris até o dia 30 de agosto as múltiplas facetas artísticas do criador conhecido como Peyo, que em 1958 criou as famosas criaturinhas azuis.

Coincidindo com a estreia mundial nas telas de cinema do filme em 3D "Os Smurfs" ("Les Schtroumpfs", do nome original em francês), a exposição reúne mais de 200 objetos vinculados ao autor como pranchas originais nunca antes expostas, arquivos e fotografias que repassam a vida e obra de Peyo.

"A maioria das pessoas conhece Peyo (1928-1992) pela animação, pelos desenhos", explicam os responsáveis da mostra que poderá ser visitada até final do mês de agosto no Hôtel Marcel Dassault.

Peyo, artista "discreto e pudico" que entreteve três gerações de crianças e adultos do mundo inteiro, era "um desenhista meticuloso e perfeccionista" além de um "roteirista que dedicava toda sua energia ao relato e à posta em cena".

A exposição abre as portas a trabalhos menos conhecidos do bigodudo Peyo, como as aventuras de "Benoit Brisefer" ou de "Johan e Peewitt", que é considerado como primeira referência dos Smurfs.

Foi no dia 23 de outubro de 1958, no momento que "Johan e Peewit" lutavam contra as injustiças em uma Idade Média criada por Peyo, que nasceram "Os Smurfs" como personagens secundários.

"Os leitores do jornal 'Spirou' aprovaram rapidamente os novos personagens, que logo começaram a viver suas próprias aventuras", comentam os responsáveis da mostra organizada pela casa de vendas Artcurial.

A partir de então, "Os Smurfs" não pararam de evoluir, tanto do ponto de vista gráfico como psicológico.

"Cada Smurf passou a ser reconhecido por um atributo, uma profissão ou um traço de personalidade" e desenvolveram seus "valores fundamentais" sobre princípios como "a solidariedade, a ecologia, o trabalho, a confiança mútua, o respeito, a paz e a fé no futuro".

Trata-se de uma visão mais carinhosa que a interpretação do francês Antoine Buéno, que recentemente publicou "Le Petit Livre Bleu", sobre uma análise crítica e política da sociedade dos Smurfs, no qual conclui que as simpáticas criaturas azuis reproduzem estereótipos racistas, totalitários e antissemitas.

Desde essa perspectiva, papai Smurf aparece representado como o chefe autoritário de uma comunidade na qual só há uma mulher (com traços arianos) e que se defende dos ataques do malvado Gargamel (cujo nariz aquilino e seu gato chamado Cruel "lembram uma caricatura antissemita").

No entanto, e como prova das variadas interpretações que circularam sobre "Os Smurfs", nos Estados Unidos se chegou a suspeitar que seu nome em inglês, "Smurf", correspondia ao acrônimo de "Small Men Under Red Forces" (Pequenos Homens Sob Forças Vermelhas).

Por sua vez, o curador da mostra parisiense, Éric Leroy, encerra a polêmica descrevendo Peyo como um "autor apolítico".

Interpretações políticas a parte, os pequenos seres azuis com gorros brancos que viviam em cogumelos traduziram suas 272 aventuras em papel em um sucesso promocional e televisivo.

Peyo foi "o primeiro artista a compreender a importância do marketing e do merchandising para popularizar sua obra", segundo os comissários da mostra.

Assim, as aventuras dos Smurfs chegaram à televisão nos anos 1960, lançaram seu primeiro filme em 1974 e foram adaptados à programação televisiva nos anos 1980, pelas mãos da produtora Hanna-Barbera.

Além disso, bonecos de pelúcia invadiram as lojas de brinquedos, ilustraram embalagens de famosas marcas de refrigerantes e cereais enquanto automóveis passaram a utilizar sua imagem em campanhas publicitárias.

Peyo morreu após uma parada cardíaca aos 64 anos na noite de 24 de dezembro de 1992, deixando "uma grande obra, conhecida e reconhecida no mundo todo", legado que recupera toda sua vigência, graças à adaptação cinematográfica de "Os Smurfs", do diretor Racha Gosnell, com estreia em 3D.

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