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Espírito de Hemingway permanece em Cuba 50 anos após sua morte

EFE/Alejandro Ernesto
Um dos participantes do XIII Colóquio Internacional sobre Ernest Hemingway posa ao lado da estátua do escritor em no bar El Floridita em Havana, Cuba (16/6/2011) Imagem: EFE/Alejandro Ernesto

Raquel Martori

02/07/2011 06h09

Havana, 2 jul (EFE).- O espírito do célebre romancista americano Ernest Hemingway mantém sua fascinante presença em Cuba, onde é lembrado como "mito, história e lenda viva" mesmo 50 anos depois de sua trágica morte.

Basta caminhar por Finca Vigia, sítio que foi seu refúgio nos arredores de Havana, ou visitar a vila de pescadores de Cojímar, o hotel Ambos Mundos ou o bar Floridita, para seguir os passos do escritor pelos lugares onde viveu, escreveu, pescou e bebeu durante sua estadia na ilha caribenha.

Alguns estudiosos veem esse percurso por Havana como uma "peregrinação nostálgica" na busca por novas facetas de Hemingway, um personagem com o raro talento para misturar o intelectual com o homem de ação.

O casarão de Finca Vigia foi a residência cubana do escritor durante mais de 20 anos e se transformou no Museu Ernest Hemingway após sua morte no dia 2 de julho de 1961, quando se suicidou com um disparo de uma espingarda em Idaho, no Estados Unidos.

Em carta dirigida ao amigo Karl Wilson, em 1952, Hemingway escreveu: "Sempre tive boa sorte escrevendo em Cuba... Me mudei de Key West para cá em 1938 e aluguei este sítio e o comprei quando lancei 'Por quem os sinos dobram'. É um bom lugar para trabalhar porque está fora da cidade e encravado em uma colina".

Neste sábado, cinquenta badaladas marcaram o início do principal ato da homenagem realizada em Cuba, com sede no Museu Hemingway. "Nós estamos em Cuba para celebrar este acontecimento. Esta era sua casa, seu lar cubano", afirmou Ada Rosa Alfonso, diretora da instituição.

O museu conserva uma coleção de 22 mil objetos pessoais e documentos que pertenceram ao romancista, entre livros, troféus de caça, discos, armas, cartas e fotos, além do seu iate que teve como patrão o pescador Gregorio Fuentes, que inspirou o solitário personagem de "O Velho e o Mar".

Os costumes e preferências do escritor estão refletidos em objetos pessoais, desde as receitas de culinária de sua última esposa, Mary Welsh, preparadas com mariscos e peixes, até as anotações que fazia diariamente em uma parede do banheiro para controlar seu peso.

"Aqui chegam visitantes do mundo inteiro. No ano passado, 50 mil cubanos e estrangeiros passaram pelo museu", informou Ada, acrescentando que é "muito raro" que um norte-americano que esteja em Havana não visite Finca Vigia.

"Hemingway é mito, história e lenda, porque ganhou um lugar na história de nosso país", declarou a diretora, ressaltando que o escritor "se relacionava com todos os setores sociais do país", desde a aristocracia até os mais humildes pescadores.

"Ele se declarou um cubano a mais, quando ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1954 com o romance 'O Velho e o Mar', que escreveu em Finca Vigia, e decidiu entregar a medalha ao santuário da Virgen de la Caridad del Cobre, patrona de Cuba e dos pescadores", lembrou Ada.

O próprio Hemingway disse que o argumento desse romance surgiu da rica experiência que viveu na vila de Cojímar. Essa comunidade ao leste de Havana também participará das homenagens com um ato diante do busto do romancista erigido em sua memória em 1962, no qual aparece com imagem sorridente e olhando para o mar.

As atividades pelos 50 anos da morte de Hemingway começaram no último mês de junho com o 13º Colóquio Internacional dedicado ao escritor americano para revelar facetas ainda desconhecidas de sua vida e obra, resultantes de novas pesquisas acadêmicas.

Durante o colóquio, foi anunciado que o primeiro tomo de uma recopilação de cartas inéditas da juventude do escritor será publicado em outubro. "Se remexermos bem em sua correspondência e quando acessarmos seus documentos restaurados, digitalizados e outros que ainda não foram divulgados, como seu testamento, serão revelados novos detalhes", considerou Ada.

"Sempre existe uma aura de mistério sobre os grandes homens", finalizou a especialista.

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