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Historiadores relembram momentos que antecederam construção do Muro de Berlim

15/06/2011 15h31

Elena Garuz.

Berlim, 15 jun (EFE).- Há 50 anos o chefe de Estado da Alemanha comunista Walter Ulbricht afirmava que ninguém tinha a intenção de construir um muro e agora os historiadores se perguntam o que se escondia por trás dessa mentira, já que essa declaração foi dada um mês e meio antes de Berlim amanhecer dividida.

Com essa frase, Ulbricht revelava seu mais prezado segredo - a intenção de construir um muro - em entrevista coletiva na "Casa dos Ministérios" em Berlim Oriental para mais de 300 repórteres de dezenas de meios de comunicação internacionais, que acabaram não dando a ela a importância que merecia.

A historiadora americana especialista em Alemanha Hope Harrison sustenta que se tratou de uma declaração através da qual o político se delatou inconscientemente, segundo reflete estes dias a imprensa local.

O certo é que o chefe de Estado da República Democrática Alemã defendia há meses perante seus colegas do Pacto de Varsóvia o estabelecimento de uma fronteira física na cidade para impedir a fuga em massa à vizinha República Federal da Alemanha - 10 mil casos só entre 1º e 14 de maio de 1961.

O cientista político berlinense Hannes Adomeit sugere que Ulbrich estava perfeitamente consciente do que disse e que seu maquiavélico objetivo poderia ser o de aumentar o número de foragidos para o país vizinho, a fim de pressionar a União Soviética a aprovar a construção de um muro.

Ao mesmo tempo, o especialista assinala que o motivo pode ter sido outro bem diferente: o de tranquilizar a população, embora nesse caso o efeito teria sido o contrário, já que o número de fugitivos aumentou consideravelmente.

Durante a entrevista coletiva, Ulbricht pronunciou um discurso monótono, conforme a imprensa informou na época, no qual, entre outras coisas, exigiu a dissolução dos campos de refugiados em Berlim ocidental, além da conversão dos três setores da metade oeste em uma "cidade livre" desmilitarizada.

"A formação de uma 'cidade livre' significa que a fronteira nacional vai ser construída no Portão de Brandemburgo?", perguntou a correspondente do "Frankfurter Rundschau" Annamarie Doherr sem pronunciar em nenhum momento a palavra "muro".

Sem pensar muito, Ulbricht respondeu: "Pela sua pergunta, entendo que há gente na Alemanha Ocidental que deseje que mobilizemos os operários da capital da República Democrática Alemã para que construam um muro, é isso?"
"Não tenho conhecimento de que exista tal intenção, já que os operários na capital estão ocupados basicamente com a construção de casas", acrescentou Ulbricht que, após uma pausa aparentemente proposital, concluiu: "Ninguém tem a intenção de construir um muro".

A construção do Muro de Berlim, que começou dois meses mais tarde, em 13 de agosto de 1961, foi um ato de violência contra a população, afirmou nesta quarta-feira o ministro do Interior alemão, Hans-Peter Friedrich.

"A República Democrática Alemã não podia viver sem o muro, mas também não pôde continuar com ele", declarou em um ato comemorativo, celebrado na antiga "Casa dos Ministérios" da República Democrática Alemã, atual sede do Ministério das Finanças.

Cada uma das vítimas do regime fronteiriço é uma testemunha de que a República Democrática Alemã infringiu direitos humanos fundamentais, acrescentou Friedrich.

"O muro foi uma história triste" que teve um final feliz, assinalou, por sua vez, o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble.

Nos mais de 28 anos de existência do muro, pelo menos 136 pessoas morreram ao longo de seus 155 quilômetros ao tentarem passar para o lado ocidental.

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