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Documentário sobre combate ao Alzheimer emociona público no Cine Ceará

14/06/2011 11h19

Marta Berard.

Fortaleza, 14 jun (EFE).- Emocionante e, em alguns momentos, até engraçado, o documentário espanhol "Bicicleta, Cuchara, Manzana", que aborda a convivência do político catalão Pasqual Maragall com o Mal de Alzheimer, é exibido nesta terça-feira pela primeira vez no Brasil, no encerramento do festival ibero-americano Cine Ceará.

Dirigido pelo cineasta Carles Bosch, o filme será o último a ser mostrado no evento realizado em Fortaleza, que termina na quarta-feira com a entrega de prêmios no centenário Theatro José de Alencar.

"Bicicleta, Cuchara, Manzana" ("Bicicleta, Colher, Maçã", em tradução livre) é o resultado de dois anos de filmagens em que Carles Bosch aborda a vida daquele que foi prefeito de Barcelona durante os Jogos Olímpicos de 1992 e sua luta contra o Alzheimer.

O documentário acompanha a vida de Maragall e de sua família nos dois anos após 20 de outubro de 2007, dia em que o ex-presidente da comunidade autônoma da Catalunha anunciou que sofria da doença e manifestou sua força de vontade de seguir em frente.

"O que faz com que Maragall seja digno de ser protagonista não é nem quem ele é, nem a doença que tem. O importante é o passo adiante que ele dá, que não me surpreende em uma pessoa que sempre esteve à frente de seu tempo", declarou Bosch à Agência Efe.

O diretor explicou a dificuldade de abordar a intimidade de alguém que, apesar de ser um veterano político acostumado aos holofotes, não tinha sido analisado dessa forma no âmbito familiar e especialmente invadir esse espaço para abordar a luta contra uma doênça.

"Foi o projeto mais difícil da minha vida e no momento mais difícil da minha vida", reconheceu o cineasta, que assegurou que o sucesso de crítica e público obtido pelo filme não lhe representou propriamente "alegria, mas um grande alívio".

"Foi uma surpresa saber até que ponto nós acertamos", explicou o diretor, que não deixou faltar momentos de humor na obra.

Também jornalista, Bosch admitiu ter pensado em abandonar o projeto em alguns momentos. Ele afirmou que o documentário "tem um componente jornalístico" e ressaltou que a parte "menos atrativa" do trabalho de um profissional da informação é "conquistar o público". "Nossa profissão, até que não se prove o contrário, é necessária".

"Como você gostaria que este filme fosse?", pergunta o diretor a Maragall na primeira cena. "Divertido", responde o protagonista.

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