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Equador abre ao público convento fechado há mais de 400 anos

11/06/2011 10h08

Susana Madera.

Quito, 11 jun (EFE).- As portas de estilo colonial do claustro do mosteiro de Santa Clara, no centro de Quito, foram abertas ao público pela primeira vez em mais de 400 anos para mostrar tesouros patrimoniais na exposição "El esplendor del Barroco Quiteño".

A mostra reúne 60 obras entre quadros, esculturas, objetos e pinturas murais procedentes de diferentes museus e exposições, a partir desta semana, pela primeira vez em um só lugar em Quito.

O convento, onde vivem 18 freiras entre 65 e 70 anos, é considerado por si só uma obra de arte.

"O Exército dos conquistadores espanhóis que chegou a Quito em 1534 não soube que ao fundar esta cidade, em nome de Deus e do rei, o que fez foi fundar a Escola de Arte, e de uma arte que eles não conheciam, pois o barroco, como estilo artístico, ainda não havia surgido na Europa", contou à Agência Efe Guido Díaz, coordenador da exposição.

O especialista explicou que nas obras está expressa um sincretismo cultural, pois como a mão de obra era fundamentalmente de indígenas, mestiços e negros, eles incluíram nos quadros cenas religiosas diversas e símbolos locais.

Na obra "se funde ou se esconde" a iconografia indígena dentro da cristã e por ser tão abundante passou despercebida, disse Díaz.

"Por isso, enquanto na Europa o barroco era uma ferramenta de dominação, de permanência, conservação, aqui também foi uma ferramenta, mas de libertação", assinalou.

A exposição, que já foi apresentada na Alemanha em 2010, mostra pinturas de Miguel de Santiago, Manuel Samaniego, Bernardo Rodríguez e Joaquín Pinto, assim como peças esculpidas por Caspicara e Bernardo de Legarda, grandes expoentes da arte quitenha.

Ao fim do século XVII, Quito chegava aos 20 mil habitantes, e já construía mais de 20 templos, entre eles, o de Santa Clara, da ordem dos franciscanos, que agora é aberto parcialmente ao público, explicou Díaz.

"Supostamente isto marca uma época na relação da cidade com seus conventos. Agora podemos entrar e interpretá-los, podemos reconhecê-los e saber que aí está parte de nossa história e que esteve cuidada por personagens, como freiras", comentou.

Por sua vez, essas religiosas estão "estressadas" com a montagem da exposição e a abertura das portas, segundo Luz Elena Colomna, gerente de Quito Turismo, uma das promotoras da exposição, que pediu compreensão ao público pela "invasão" do convento.

Díaz avalia a atitude das freiras como um ato de "generosidade" já que à parte da mostra de arte barroca, é possível conhecer de maneira mais próxima a história e o desenvolvimento da Ordem de Santa Clara em Quito, a magnificência de seus claustros e a riqueza artística que guarda o mosteiro.

Com ele coincide Colomna, que garante que "não há melhor momento" para apresentá-la, pois este ano Quito é capital americana da Cultura.

"Isso é parte muito viva também do que é a cultura de Quito, a cultura religiosa, dos mosteiros, sedes desses maravilhosos tesouros onde a Escola Quitenha teve sua mais deslumbrante expressão que convivem com o mundo contemporâneo", acrescentou.

Para Colomna, a exposição abre também a possibilidade de aproximar-se "com respeito" ao mundo "do silêncio, da clausura" que vive o convento, incrustado no ruidoso centro histórico de Quito, que foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

Segundo sua opinião, esse centro é um "museu vivo", cheio de mistérios e mosteiros, conventos e igrejas, artesanato, imagens e pinturas barrocas, enquanto para Díaz expõe seu ser também em suas ruas, suas casas e até em suas montanhas, no espírito de sua gente.

Em sua opinião, a exposição é importante para que os equatorianos conheçam seu passado e como fontes de identidade que são resultado de um instrumento de culturas.

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