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Prêmio Pulitzer lança livro de Gandhi com tendências homossexuais e xenofobia

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Livro que mostraria Gandhi como bissexual revolta indianos Imagem: AFP/PHOTO

Alberto Masegosa

07/06/2011 10h12

Nova Délhi, 7 jun - A Índia abriu as portas ao Gandhi de carne e osso com a publicação no país de um livro que surge com tendências homossexuais e traços xenófobos ao pai da independência indiana e mito pacifista universal.

O Governo do estado natal de Mahatma Gandhi, Gujarat, proibiu a distribuição nesse território do oeste indiano, mas a obra já está na versão em inglês nas livrarias de Nova Délhi, onde se transformou em sucesso de vendas.

"Great Soul: Mahatma Gandhi and His Struggle With Índia" ("Grande Alma: Mahatma Gandhi e sua luta pela Índia" inclui entrevistas cuja ambiguidade permite várias interpretações, o que levou o autor, o prêmio Pulitzer Joseph Lelyveld, a acusar a imprensa local e internacional de tergiversar o relato.

Entre os testemunhos reunidos por Lelyveld no livro, figura uma carta de Gandhi a Hermann Kallenbach, arquiteto e culturista alemão com quem o ativista indiano viveu em Johanesburgo, e ao que o Mahatma escreveu: "tomou posse do meu corpo".

O prêmio Pulitzer também revela que Gandhi rejeitava de maneira taxativa durante sua estadia na África do Sul que a minoria branca equiparasse à comunidade indiana com a africana, e que se referia aos nativos com a depreciativa expressão de 'niggers'.

Em declarações à Agência Efe, um bisneto do Mahmata, Tusher Gandhi, classificou essas circunstâncias de "detalhes", e lembrou que se baseiam em "mensagens e fontes indiretas, já que o autor do livro não teve acesso às testemunhas diretas porque estão mortos".

"Por isso utiliza testemunhas que não são de primeira mão", disse.

Tusher Gandhi ressaltou que seu bisavô "ofereceu à Humanidade muito mais do que se reflete no livro, que insistiu, principalmente, em assuntos pessoais", e manteve que "sua contribuição ao pensamento universal acabará por superar todo questionamento".

Para o jornalista Sourish Battacharya, especialista na vida e obra de Gandhi, a polêmica é o resultado de "um mal-entendido".

"Na relação de Gandhi e Kallembach se confunde afeto e amor. Pinçaram fora do contexto dois ou três parágrafos sobre essa relação quando não há provas de que a índole é sexual. Para dizer o contrário seria preciso demonstrá-lo", sustentou.

Battacharya anotou, no entanto, que gostou do livro, considerou "bom, principalmente a parte que fala da Índia".

Um dos livreiros mais conhecidos de Nova Délhi, Anuj Bahri considerou que "a obra é unicamente um aspecto a mais da vida de Gandhi".

"E não vejo nada de mal nisso. O Mahatma é um mito, mas como pessoa foi um homem como qualquer outro", acrescentou.

"Tinha uma personalidade com todas as complexidades, sentimentos e fraquezas de todos os seres humanos, o único que o tornava diferente era seu destino, que era um destino brilhante e fantástico, porque no demais era como o restante", apontou.

Um ponto em que o bisneto, o especialista e o livreiro coincidiram foi sobre a necessidade que seu país recupere o discurso de Gandhi.

Potência nuclear e econômica ancorada no desequilíbrio social e no sistema de castas, a Índia ainda não aplicou a essencial da filosofia de Mahatma, o pacifismo e a igualdade, o que denuncia Lelyveld, embora não seja o mais conhecido de seu livro.

Questionados sobre esses descumprimentos, Tusher Gandhi admitiu que "devemos lembrar que Ghandi é o dirigente de massas"; Sourish Battacharya, que "temos de resgatar sua mensagem", e Anuj Bahri, que "seu discurso é agora mais atual do que nunca".

Por fim, o livreiro não deixou passar a oportunidade de se referir à boa recepção local que o livro teve.

"Todo tipo de gente compra. Velhos e jovens, homens e mulheres, está vendendo muitíssimo bem", comemorou.

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