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O papel como prazer diante do livro eletrônico como fonte de informação

06/06/2011 14h39

Mercedes Rojo.

Monza (Itália), 6 jun (EFE).- A possibilidade de convivência da edição impressa com o formato eletrônico dominou nesta segunda-feira boa parte dos debates do 2º Fórum Mundial da Unesco sobre a Cultura, na cidade italiana de Monza, no qual as editoras expuseram sua incipiente aposta na digitalização de seus lançamentos.

O escritor chileno Antonio Skármeta afirmou à Agência Efe que a informação se "presta à linguagem sucinta, sintética" como a utilizada nas redes sociais, como Facebook e Twitter, nos blogs e também nos jornais.

Em contraposição, Skármeta definiu a literatura como "a genialidade de contar histórias por prazer", que necessita de "tempo para explorar sua complexidade sem uma finalidade última" e encontra no livro de papel seu grande aliado.

"Não acredito, embora seja possível, que alguém com o hábito de consumir literatura em papel prefira o modo eletrônico", disse o chileno, que acaba de publicar "Los Días del Arcoíris" e é conhecido mundialmente por sua obra, já transportada para o cinema, "O Carteiro de Neruda".

Sobre a finalidade pragmática do suporte eletrônico, Miguel Barrero, diretor do grupo espanhol Santillana, declarou que é mais fácil para uma criança entender o funcionamento do aparelho digestivo com uma animação em três dimensões que através de uma "explicação estática" de um livro-texto.

No entanto, ressaltou que uma obra poética pode ser mais apreciada em uma edição impressa.

"Você escolhe o suporte de acordo com a experiência de leitura que queria ter", opinou Barrero, acrescentando que a escolha do formato depende mais de circunstâncias pessoais que do tipo de texto.

Convencido da boa convivência do papel com o suporte digital, Barrero assinalou que o aumento da edição digital acarretará uma "maior participação dos leitores" que não tem que ser proporcional ao aumento do número destes. Segundo ele, "o ecossistema do livro se enriqueceu com um suporte novo".

Barrero observa uma tendência "menos reticente" das editoras diante do aumento das publicações eletrônicas, e isso se deve, afirmou, aos bons números dos Estados Unidos (onde as vendas de e-books superam as edições impressas) e que no âmbito da educação, em um contexto de crise, a publicação de textos eletrônicos é mais barata.

Miguel Barrero prognosticou a perda de alguns atores na cadeia tradicional do livro, ou seja, desde sua criação até o momento que chega a mãos dos leitores - e contou com o apoio do diretor do selo Mondadori, na Itália, Riccardo Cavallero, que disse que esta mudança acontece porque agora "as editoras chegam diretamente ao leitor".

Cavallero declarou que é importante estudar as estratégias desta relação direta com o leitor que implica na "renúncia de privilégios econômicos", declarando que o sistema atual é "antigo" e estabelecerá uma luta em "que alguns desaparecerão", citando como exemplo editoras que não conheçam bem sua base de leitores e agentes literários.

O italiano ressaltou que uma editora deve se focar no "autor e no leitor" e não ter medo de "errar e atirar os privilégios pela janela".

A ex-diretora da Biblioteca Nacional e presidente do Comitê Científico deste fórum, Milagros del Corral, destacou "o passo adiante" das editoras em relação à edição digital e observou flexibilidade em suas posições.

Após a inauguração, na manhã desta segunda-feira com a participação de Corral e outros especialistas, foram realizados diferentes painéis como "A Economia do E-book", "Blog versus Jornal de Papel", "O Futuro da Palavra Escrita e a Leitura" e "Mudanças na Cadeia de Produção e Distribuição".

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