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James Joyce optou por passaporte britânico pois se sentia 'asfixiado' na Irlanda, diz biógrafo

30/05/2011 13h17

Londres, 30 mai (EFE) - O escritor James Joyce, irlandês de puro sangue, optou pelo passaporte britânico até o final de sua vida porque se sentia "asfixiado" em seu país, afirmou nesta segunda-feira seu biógrafo, Gordon Bowker.

Em 1930, quando teve que renovar seu passaporte em Paris, onde vivia, dirigiu-se à embaixada britânica e um funcionário disse que deveria ir à legação da Irlanda, que já tinha proclamado sua independência, mas ele insistiu que queria renovar o britânico, segundo relatou o próprio escritor a seu filho.

O autor de "Ulisses" se sentia "asfixiado pelo catolicismo" de seu país, "sua mãe era uma católica muito beata" e ele próprio estudou em um colégio de jesuítas, mas quando completou 16 anos, "descobriu os deleites da carne e (Henrik) Ibsen", explicou o biógrafo.

O grande dramaturgo norueguês fascinou Joyce a tal ponto que o escritor, que tinha um dom para línguas, aprendeu por sua conta o idioma escandinavo para poder ler no original o autor de "Casa de Bonecas".

Quando em 1919 estourou a revolução na Irlanda, Joyce não mudou de opinião, embora fosse dublinense até a alma, porque ele e sua família não eram "independentistas", mas "autonomistas" (partidários do chamado Home Rule ou autogoverno).

Além de seus problemas com o catolicismo, Joyce achava que os independentistas queriam devolver o país ao passado, entre outras coisas, impondo o idioma irlandês ou gaélico enquanto o escritor sentia que "seu passaporte ao mundo" era o inglês, relatou seu biógrafo.

Quando em 1914 o primeiro-ministro do Reino Unido, o liberal Herbert Henry Asquith, concedeu-lhe uma bolsa de estudos de mil libras, seu pai, que era partidário do nacionalista irlandês Charles Stewart Parnell, ficou orgulhoso pelo fato de que o jovem Joyce tinha ganhado uma bolsa de estudos dotada com dinheiro dos fundos do rei da Inglaterra.

O biógrafo contou também que, após "Ulisses" ser publicado em Paris em 1922, sua esposa, Nora, ficou aborrecida com o repentino culto ao marido, a quem todos queriam conhecer, e fugiu com seus filhos à Irlanda para ficar ao lado de sua família, mas acabou chegando no meio da guerra civil.

Os soldados invadiram seu hotel em Galway e colocaram uma metralhadora na janela de seu quarto e quando mais tarde Nora foi com os filhos para Dublin para retornar a Paris, seu trem foi baleado no caminho e todos tiveram que fazer o resto da viagem deitados no chão. O episódio foi mais um motivo para Joyce se distanciar de sua terra natal.

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