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Pintor cubano Pedro Oliva diz que não é traidor apenas por expor suas ideias

23/05/2011 23h52

Havana, 23 mai (EFE).- O famoso pintor cubano Pedro Pablo Oliva, destituído do cargo que ocupava na Assembleia do Poder Popular por atitudes políticas críticas ao sistema, declarou que expressar suas ideias não o tornam um dissidente ou traidor e disse que não pensa em abandonar a ilha.

Oliva, Prêmio Nacional de Artes Plásticas em 2006, publicou nesta segunda-feira um comunicado em seu site sobre as circunstâncias que provocaram sua destituição do cargo de representante da Assembleia do Poder Popular na província de Pinar del Río, por ter violado o código de ética desse órgão de Governo local.

Na declaração, o pintor afirma que a "comissão de ética" que avaliou seu caso determinou que ele se juntara "às fileiras da dissidência" e que dentro da Assembleia havia sido taxado como "dissidente", "contrarrevolucionário", "traidor da Pátria" e "anexionista".

"Recuso aceitar essas acusações pelo simples fato de ter expressado minhas ideias", ressaltou o artista de 62 anos, após destacar que "a imobilidade de pensamento é o câncer dos processos sociais".

"Não sou pago pela CIA, não sou sustentado pela Fundação Cubano Americana, nem por nenhuma outra, nem as embaixadas polonesa e tcheca, com as quais tenho as melhores relações culturais em um clima de respeito", assegurou.

"Busco, como todo ser humano que ama seu país, uma sociedade melhor, mas essa busca nem sempre há de coincidir com as ideias de um partido. Não idealizo nenhuma sociedade", acrescentou.

Oliva explica que outro representante do órgão de Governo local apresentou uma denúncia contra si porque "já não possuía as condições necessárias", e pediu que fosse avaliada sua "separação" do cargo.

A acusação se baseia em uma carta do pintor que foi publicada com seu consentimento no blog da opositora Yoani Sánchez e nas declarações que deu ao programa "La tarde se mueve", do jornalista Edmundo García em um canal de televisão de Miami.

Segundo Oliva, suas palavras em ambas as ocasiões "infringiam e contradiziam os estatutos ideológicos e o código de ética" da Assembleia - que ele assinou ao ser eleito - e por isso esteve de acordo com quem fez a denúncia.

De acordo com sua versão, ele foi acusado de publicar suas ideias no "terreno da dissidência" e de manter relações de amizade com "elementos contrarrevolucionários".

Nesse sentido, advertiu que nenhum órgão da imprensa oficial cubana teria publicado suas palavras e considerou que "participar com ideias em outros espaços de debate não implica, de modo algum, pensamentos semelhantes".

"Vivo em um país marcado por gente obcecada em partir para qualquer lugar. Não é esse o país com que sonhei. Sei que o presidente da nação está fazendo esforços para organizar nossa maltratada economia, mas será ainda mais complicado tentar unificar a nação espiritualmente", afirmou.

O pintor agradeceu à revolução cubana pela possibilidade de formar-se como artista, mas afirmou que "não fica calado diante de algo que considera errado" e defendeu seu direito "à dúvida".

Também menciona que precisou tomar a "difícil decisão de encerrar" seu projeto artístico "Casa Taller" em Pinar del Río porque a direção do Poder Popular considerou que objetivos culturais iniciais haviam sido desvirtuados.

Em seu comunicado, Oliva também deixa claro que "não tem nenhuma intenção" de sair de Cuba e ressalta que a "fidelidade à Pátria não é fidelidade a um partido".

Formado na Escola Nacional de Arte de Havana, Oliva é considerado um dos maiores expoentes da pintura cubana. Suas obras fazem parte das coleções do Museu Nacional de Belas Artes e de países como Brasil, Canadá, França, Itália, Espanha, Suíça, México, Alemanha e Estados Unidos.

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