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Drama sobre pedofilia e comédia familiar atraem público em Cannes

14/05/2011 14h22

Mateo Sancho Cardiel.

Cannes (França), 14 mai (EFE).- Ofuscados pelo blockbuster da saga de "Piratas do Caribe", dois filmes polêmicos conquistaram os holofotes no tapete vermelho de Cannes: o austríaco "Michael", retrato de um pedófilo do diretor Markus Schleinzer, e "Footnote", uma comédia israelense sobre a competição intelectual e familiar.

Markus Schleinzer que foi diretor de elenco de "A Fita Branca", premiado com a Palma de Ouro do festival francês há dois anos, apresenta um projeto que em momentos parece um filme do seu 'tutor' Michael Haneke e que conta também com a interpretação impressionante de Michael Fuith.

Por trás das câmeras, Schleinzer reduz quase totalmente sua narrativa a dois personagens: Wolfgang, uma criança de 10 anos, e Michael, o homem que o sequestrou, mantendo-o preso em um porão para abusá-lo sexualmente com regularidade.

O diretor e roteirista, consciente do delicado do tema, decidiu explorar toda a maldade do mundo, embora siga a máxima lei do diretor de "A Professora de Piano": ensinar o antes e o depois, mas nunca o durante.

Com fortes semelhanças ao recente escândalo austríaco envolvendo Natascha Kampusch e Josef Fritzl, "Michael" capta com fidelidade a apavorante realidade sobre crimes, segredos e por outro lado, a cultura do respeito à intimidade.

Entre suas reflexões mais poderosas a que, por outro lado, já teceu com mais brio
"Em 'Michael' evitei deliberadamente qualquer julgamento ou explicação moral. Simplesmente é um homem e uma criança interagindo", diz o diretor na coletiva de imprensa.

O julgamento, no entanto, foi feito pela plateia e ficou dividido: recebendo tantos aplausos como vaias. Talvez pela escolha de um tema tão indigesto ou porque investe diversos elementos fortes no início e a partir da metade da projeção, o filme se movimenta por inércia.

Em paralelo, está a exibição da comédia israelense "Footnote", dirigida por Joseph Cedar, que também não foi recebida com alvoroço porque também teve suas razões para a reprovação e para a admiração.

Joseph Cedar, que vinha de uma carreira de filmes politizados e premiados como "Beaufort", sobre a Guerra do Líbano, aguça o gênero e se arrisca em outro tipo de guerra, entre um pai e um filho, pelo sucesso profissional em um mesmo campo: o estudo do Talmude, peça central da literatura rabínica.

Por assim dizer, uma novela de Philip Roth, mas com menos silêncios, o choque de egos surge quando o pai recebe por engano os cumprimentos do primeiro-ministro por ter conseguido um Prêmio Israel que na realidade tinha sido outorgado a seu filho.

Por sua vez, a pouca ambição formal cede espaço aos diálogos engenhosos e a um brilhante retrato da competição que se esconde após todo grupo intelectual.

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