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Cinema iraniano marca presença em Cannes com "Goodbye", de Rasoulof

14/05/2011 16h53

Cannes (França), 14 mai (EFE).- A reivindicação da liberdade artística no Irã, que está se transformando em uma triste rotina nos festivais de cinema, ganhou espaço neste sábado em Cannes com a projeção de "Goodbye", de Mohammed Rasoulof, cineasta preso em seu país.

Na presença da protagonista Leyla Zareh e da esposa de Rasoulof, o filme que aborda temas proibidos no Irã, como o aborto, foi aplaudido na seção paralela "Un Certain Regard".

"Vim para passar a mensagem do meu marido, que dedica este filme a todos os presos do Irã", declarou a mulher do cineasta, enquanto Zerah acrescentou que espera "que esta história acabe bem".

Rasoulof foi acusado junto a Jafar Panahi, de quem foi assistente de direção, por conspiração e propaganda contrária ao Governo de Mahmoud Ahmadinejad.

Em "Goodbye" não há muito espaço para o otimismo. Se a jurada Linn Ullmann dizia na abertura do festival que "muitos membros de júris de arte são políticos sem ser, já que uma história individual pode criar empatia e solidariedade no espectador", no caso do Irã é inevitável que a política interfira de maneira brutal em cada filme produzido no país.

No longa, a personagem principal é uma advogada que tenta conseguir durante toda a trama uma permissão para deixar o país, no entanto precisa da autorização do marido, que se encontra no exterior.

"Se alguém se sente estrangeiro em sua própria terra, é melhor que se sinta estrangeiro em outro país", assegura a personagem em um momento do filme.

A homenagem ao cinema iraniano terá continuidade no próximo dia 20 com a projeção de "This Is Not a Film", de Jafar Panahi, que será exibido enquanto o cineasta aguarda o veredicto do tribunal de apelação, após ter sido condenado a seis anos de prisão e ser impedido de trabalhar como cineasta durante 20 anos.

Thierry Frémaux, diretor do Festival de Cannes, e Gilles Jacob, presidente do evento, asseguraram ao anunciar a inclusão destas produções iranianas na programação que "o filme de Rasoulof e as condições nas quais foi feito e o diário de Panahi sobre os dias de sua vida como artista impedido de trabalhar são, por si só, uma resistência às suas condenações".

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