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Dupla brasileira apresenta thriller "Trabalhar Cansa" em Cannes

13/05/2011 15h18

Cannes (França), 13 mai (EFE).- Os brasileiros Juliana Rojas e Marco Dutra apresentaram na seção "Un Certain Regard" de Cannes sua inquietante estreia "Trabalhar Cansa", no qual o drama social do desemprego se transforma progressivamente em um thriller.

O filme, que concorre ao prêmio de Melhor Filme, segue a tradição do terror latente de uma dupla de cineastas que já concorreu em Cannes com o curta "Um ramo", com o qual ganharam o prêmio Kodak.

"Gostamos de trabalhar com estes elementos de terror, que surgem de maneira natural, de modo que estejam na fronteira com o drama social deste filme", explica Marco Dutra em entrevista à Agência Efe.

"Trabalhar cansa" é a história de Helena (Helena Albergaria), uma dona de casa de classe média que justo no dia que decide alugar um imóvel para montar seu próprio negócio recebe a notícia que seu marido (Marat Descartes) foi despedido.

"Quando a mulher se transforma na única fonte de renda da família no Brasil se transforma uma situação muito tensa", explica o diretor, mas o filme "não tenta colocar-se do lado de nenhum dos dois, porque para o homem também é muita pressão ser bancado", acrescenta a codiretora.

Helena, pouco a pouco, vai tomando seu novo posto no mercado de trabalho e entre a diversidade de reações, os diretores encontram o realismo. "O que dá vida a um personagem são suas contradições", asseguram.

O drama do desemprego se funde, então, com o dos papéis de gênero e também com a luta de classes, já que "Brasil segue tendo uma herança do passado escravista", explica Dutra.

Mas se a família do casal protagonista se transforma em um palco de metáfora social, é no pequeno mercado onde o terror surge. "Funciona como um personagem a mais", diz Rojas. "É um lugar abandonado que a protagonista limpa e pinta, mas que tem um passado que não demorará a voltar", prossegue.

Efetivamente, as paredes do mercado, visto em tantos filmes no cinema independente americano, começam a manifestar vida própria e esse lugar de esperança e renovação inicial "se transforma em um lugar cada vez mais apavorante", diz Rojas.

Mas aqui não há metáfora. "A evitamos a todo custo. A fantasia do filme tem muitas interpretações possíveis, não queremos impor nada ao público. De fato, embora o filme misture terror com economia, nem sequer nos consideramos pessoas pessimistas", conclui Rojas.

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