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De Niro: júri de Cannes premiará "filmes, não autores"

11/05/2011 18h37

Mateo Sancho Cardiel.

Cannes (França), 11 mai (EFE).- A fidelidade de Cannes a nomes consagrados não tirará oportunidades de produtores emergentes, pois de acordo com Robert de Niro, presidente do júri oficial da 64ª edição do festival, neste ano "serão premiados filmes, não autores", apesar do favoritismo de diretores como Almodóvar, Malick e Von Trier.

Por sinal, não faltarão estrelas no evento. Os tapetes vermelhos estarão repletos delas em todos os dias de sessões, já que algumas fazem parte do júri, como De Niro. Além do ganhador de dois Oscars e protagonista de dois filmes premiados com a Palma de Ouro ("Taxi Driver" e "A Missão"), jurados como Uma Thurman e Jude Law também deverão dar um toque diário de glamour ao festival.

Com tanto brilho no júri (do qual também fazem parte os diretores Olivier Assayas e Johnnie To, e a atriz argentina Marina Gusman), é possível imaginar que seus membros não se deixarão impressionar por figuinhas fáceis em Cannes.

"Não sei o que busco nem o que espero da competição. Vamos nos sentar, assistiremos aos filmes e então os avaliaremos", disse De Niro, econômico em palavras, como de costume.

Completam o júri a crítica e escritora norueguesa Linn Ullmann (filha de Ingmar Bergman e Liv Ullmann), o cineasta chadiano Mahamat Saleh Haroun e a produtora chinesa Nansun Shi.

Cannes, segundo De Niro, é "um grande festival, especial e único". No entanto, devido à sua importância, não demorou a surgir a dúvida se haveria vocação política na decisão do júri.

Sean Penn avisou que se centrará na mensagem, e Isabelle Huppert disse que estará atenta ao valor artístico, mas o intérprete de "Touro Indomável" insistiu: "primeiro teremos que assistir aos filmes, para depois ver aonde eles nos levam". Mas é justamente esse ponto que desperta as dúvidas, pois como já dizia o cineasta Olivier Assayas, "cada um leva a um lugar diferente".

Na entrevista coletiva de apresentação do júri, Mahamat Saleh Haroun deixou escapar um leve tom político ao reconhecer que, desde que participou de Cannes, "o filme e o prêmio revolucionaram o Chade", seu país natal.

"Impulsionou a criação de salas e escolas de cinema, assim como o financiamento de filmes. É importante que as autoridades tomem consciência do quão importante é o cinema em um país".

Já Uma Thurman disse que foi a Cannes "em busca de inspiração". "São experiências como essa que nos ajudam a descobrir por que damos o melhor de nós mesmos a esta profissão", acrescentou.

Sendo assim, tudo parece provável: desde que Pedro Almodóvar convença com sua rocambolesca trama em "A Pele que Habito" até que o cinema parcimonioso e contemplativo de Nouri Bilge Ceylan e seu "Once Upon a Time in Anatolia" conquiste os jurados.

Também é possível acreditar em uma surpresa por parte dos estreantes - Julia Leigh, com "Sleeping Beauty" e Markus Schleinzer, com "Michael" - e que a poesia muda de Michel Hazanavicius em "The Artist" deixe sem palavras o júri. Todos partem oficialmente, como deve ser, em igualdade de condições.

Robert de Niro disse que, para ele, a participação em Cannes soava como "férias". "Assistir a 20 filmes em duas semanas não é algo que pode ser feito normalmente", disse. E Ullmann, que parecia mais apaixonada com a missão, concluiu: "O que sei é que em duas semanas serei mais sábia".

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