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Bob Dylan estreia na China aos 69 anos e sem músicas de protesto

06/04/2011 13h34

Antonio Broto.

Pequim, 6 abr (EFE).- Foi preciso esperar 50 anos de carreira, mas nesta quarta-feira Bob Dylan pôde finalmente se apresentar na China comunista, embora sem cantar seus hinos políticos mais famosos, "The Times They Are a-changin'" e "Blowin' In The Wind".

O público de Pequim, no entanto, pareceu não se importar, vibrou emocionado e respondeu com aplausos, especialmente quando Dylan tocou outra de suas músicas mais populares, "Like A Rolling Stone".

Cerca de 10 mil pessoas, aproximadamente 90% da capacidade máxima, assistiram ao histórico show no Ginásio dos Trabalhadores de Pequim, que não via tanta animação desde quando acolheu as disputas de boxe nas Olimpíadas de 2008.

O público, formado em sua maioria por jovens e estrangeiros, também se entusiasmou com outro de seus clássicos, "A Hard Rain's A-Gonna Fall", embora tenha se mostrado um pouco frio no início do show, quando Dylan tocou alguns de seus trabalhos mais recentes.

O artista, que no dia 11 de abril comemorará 50 anos de carreira, preferiu em boa parte da apresentação desviar o centro das atenções para seus companheiros de banda, tocando quase sempre o teclado em uma das laterais do palco, embora em algumas ocasiões tenha prendido o violão no pescoço e lançado mão de sua inseparável gaita, que quando soou obteve as mais entusiasmadas palmas do público.

Tudo isso em um cenário austero, no qual a longa sombra do cantor e seu chapéu foram na maior parte do tempo a única decoração.

Dylan quase não falou com o público entre as músicas, mas compensou dando o máximo de sua rouca voz em cada canção e pondo a plateia de pé no final da apresentação, algo raro em um país onde todos os shows são sentados.

No fim do espetáculo, ao contrário de sua performance anterior - em Taipé, a capital da ilha de Taiwan -, Dylan não recitou sua ode contra a guerra, "Blowin' In The Wind", e optou por uma canção sem conotações políticas na qual se declarou disposto a continuar na estrada por muitos anos: "Forever Young".

A ausência de canções como "The Times They Are a-changin'", que nos anos 1960 alimentou os sonhos revolucionários ocidentais, faz pensar se a censura chinesa, como ocorreu há meia década com os Rolling Stones, não teria enviado aos organizadores uma lista de canções "não permitidas", embora a pergunta a esta dúvida, como diria Dylan, está pairando no vento.

Contudo, a apresentação do antigo "rebelde", que será repetida dentro de dois dias em Xangai, é um detalhe, embora simbólico, da abertura do país ao exterior, em um momento especialmente difícil para as liberdades no gigante asiático, devido à perseguição à dissidência elevada com a prisão do mais famoso artista nacional, Ai Weiwei.

O show desta terça-feira, unido ao apresentado recentemente em Pequim por outros artistas veteranos como The Eagles, levanta a hipótese de que as autoridades culturais chinesas abandonaram o receio sobre as estrelas de rock estrangeiras que se iniciou em 2008, quando a islandesa Björk pediu a independência do Tibete em Xangai.

Dylan, por sua vez, tem nos próximos dias outro evento de grande importância simbólica para sua carreira: um show marcado para o próximo dia 10 de abril em Ho Chi Minh, a antiga Saigon.

Será sua primeira atuação no Vietnã, um país cuja guerra foi condenada pela juventude americana enquanto ouvia as canções deste pai do rock alternativo.

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