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Exposição na Alemanha mostra polícia como braço executor do extermínio

31/03/2011 15h10

Berlim, 31 mar (EFE).- O Museu Histórico Alemão mostra a partir desta quinta-feira o papel da polícia como braço executor dos planos de extermínio de Adolf Hitler, e convida à reflexão sobre o uso das forças policiais pelas ditaduras.

"A Polícia é um fiador da lei e da segurança do cidadão, que os totalitarismos subvertem em aparelho repressor a seu serviço. A máxima expressão dessa transgressão foi o nazismo", resumiu à Agência Efe Klaus Neidhardt, presidente de Escola Superior da Polícia.

Os danos derivados desse "mau uso" mencionado por Neidhardt vão além de seus crimes e se prolongam inclusive após o fim da ditadura sob a qual atuaram, refletindo-se "na imagem meramente repressora" que para parte dos cidadãos a Polícia continua tendo uma vez reinstalada a democracia.

"Ordnung und Vernichtung. Die Polizei im NS-Staat" (Ordem e Extermínio. A Polícia no Estado nazista, em tradução livre) é o título da mostra, promovida pela Escola Superior da Polícia em parceria com os historiadores do museu, que reúne em mil metros quadrados os antecedentes, a criação, os crimes e o fim do corpo policial nazista.

Seu objetivo é "refletir até que ponto o nazismo extrapolou o sentido da Polícia como elemento de ordem para transformá-la em artífice de seus planos de extermínio", indicou o presidente da Fundação do Museu Histórico, Hans Ottomeyer.

A partir dos antecedentes históricos da Polícia alemã sob a democrática mas frágil República de Weimar, a exibição passa para o momento em que Hitler chega ao poder, em 1933, e a transformação que isso significou em suas estruturas.

A partir de 1934, o órgão passou a ser obrigado a demonstrar lealdade cega ao regime, e todo policial deveria prestar juramento de fidelidade ao "Führer".

Apesar de sua implicação nos crimes do nazismo, muito poucos entre esses "executores e entusiastas das ordens do Führer" responderam na Justiça após a queda do Terceiro Reich.

"Seja porque as forças de ocupação aliadas precisavam de um corpo policial alemão, seja porque não foi feita uma investigação do papel dos policiais sob o Estado nazista até 15 anos depois, o caso é que muitos desses executores do nazismo seguiram na corporação durante o pós-guerra", explicou Neidhardt.

O Museu de História recria a macabra "operação de reciclagem" em uma vitrine, onde está exposto um uniforme aparentemente correspondente a essa nova Polícia na Alemanha da ocupação aliada, que na realidade se trata de um velho vestuário nazista tingido com uma nova cor azul.

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