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Artistas pedem que pintura corporal seja considerada arte na Tailândia

29/03/2011 06h04

Koh Samui (Tailândia), 29 mar (EFE) - Artistas de todo o mundo reivindicaram que o "body painting" ou "pintura corporal" seja considerado uma arte durante uma exibição de criatividade e inspiração realizada na paradisíaca ilha de Koh Samui, na Tailândia.

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Sereias, búzios, cavalos-marinhos, navios, estrelas, répteis, aves e flores exóticas foram alguns dos temas pintados sobre a pele de modelos neste concurso, o primeiro do tipo realizado na Ásia.

Espanha, Brasil, Áustria, Bulgária, Alemanha, Coreia do Sul, Suíça, Itália, Turquia, Israel, Reino Unido, Estados Unidos e Tailândia participaram do Concurso Internacional de Pintura Corporal de Samui, realizado durante o fim de semana.

No domingo, a artista búlgara Bella Volen recebeu o primeiro prêmio na categoria intitulada "Céu na Terra", enquanto a austríaca Birgit Moreti venceu no dia anterior dentro do tema "Sob o azul profundo do mar".

"O 'body painting' é um tipo de atividade que deu apenas seus primeiros passos na Espanha e que existe há 20 anos na Áustria, onde há dez são organizadas competições", disse à Agência Efe o artista espanhol Erasmo Díaz Merchán, conhecido como "Daaz", que se iniciou na pintura corporal há quatro anos.

Na categoria "Sob o azul profundo do mar", Daaz empregou seis horas para transformar uma modelo tailandesa em uma sereia azul-escuro com uma elaborada e minuciosa aplicação de maquiagem e brilhantina em cada palmo de seu corpo.

Os modelos têm que se transformar "em cúmplices do artista porque é um processo tedioso e depois eles têm que exibir a pintura com dramatismo". "Eu disse à minha que se comportasse como uma sereia", explicou Daaz.

Muitos dos modelos se introduziram totalmente nos papéis das pinturas, diante da curiosidade de dezenas de visitantes que desafiaram a chuva em Koh Samui.

  • Stringer / Reuters

    Modelo mostra pintura corporal em festival realizado na ilha de Koh Samui, na Tailândia (27/03/2011)

"Às vezes você se sente um pouco como um macaco de feira, com todo mundo olhando fixamente seu corpo todo, suponho que é o preço por levar uma obra de arte nas costas", indicou uma modelo americana bem-humorada, que acrescentou que a parte mais difícil são os olhos, "porque são muito sensíveis" e o pescoço, onde o pincel "dá arrepio".

Uma das obras mais admiradas foi a do artista brasileiro Alfren Carvalho, que representou o afundamento do Titanic, uma obra na qual utilizou cinco horas de minuciosa maquiagem.

"A parte mais complicada foi desenhar a lâmpada do navio e os detalhes das joias afundadas, para os quais utilizei maquiagem, pintura de lábios, pó dourado e brilhantina que apliquei com um pincel e com esponja", detalhou o brasileiro.

Carvalho relatou que "não queria cair no tópico dos peixes e dos corais", e por isso decidiu "recriar um tema dramático e misterioso com possibilidades de criar algo belo".

A pintura corporal é uma forma de expressão artística que remonta às tribos indígenas, que utilizavam carvão, terra e sangue animal para pintar seus corpos de modo que pudessem se identificar ou se camuflar.

Esta prática continua existindo entre os índios da Austrália, Nova Zelândia, algumas ilhas do Pacífico e na América Latina, onde utilizam corantes de origem vegetal. 

A pintura com "henna" na Índia e Oriente Médio é utilizada principalmente nos casamentos para decorar a pele e o cabelo da noiva. (Gaspar Ruiz-Canela)

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