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Lugar do nascimento de Jesus pode virar Patrimônio da Humanidade

11/02/2011 10h03

Ana Cárdenes.

Jerusalém, 10 fev (EFE).- A Basílica da Natividade, guardiã do presépio onde a tradição cristã situa o nascimento de Jesus, poderá ser em breve reconhecida como Patrimônio da Humanidade, junto com o centro histórico de Belém e o Caminho da Peregrinação.

A cidade palestina, que a cada ano recebe milhares de peregrinos em busca de uma conexão mais profunda com seu Messias, apresentou sua candidatura para ser incorporada à lista da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e reforçar a proteção de um lugar sagrado para grande parte da Humanidade.

Hamdan Taha, vice-ministro de Turismo e Antiguidades da Autoridade Nacional Palestina (ANP), explicou à Agência Efe que esse reconhecimento internacional reflete que "Belém é um lugar de importância inquestionável" e que beneficiará a conservação da cidade ao aumentar seu atrativo turístico.

A candidatura inclui, além da Basílica da Natividade, os mosteiros que a circundam (um católico, outro greco-ortodoxo e um terceiro armênio), o caminho patriarcal e a denominada Rua da Estrela, restaurada com ajuda da Agência Espanhola de Cooperação Internacional e Desenvolvimento (AECID).

Dentro da Basília encontra-se uma gruta na qual o lugar do nascimento está marcado por uma cruz de 14 pontas, que é sagrada tanto para o Cristianismo como para o Islã, que considera Jesus como um dos profetas, da mesma forma que Abraão, Jacó e Moisés, embora abaixo do fundador de sua fé, Maomé.

Sua história se remonta no século IV, quando Helena, mãe do imperador romano Constantino, fez uma peregrinação à região e identificou o lugar no qual, segundo se narra no Evangelho de Lucas, Nossa Senhora "pegou o menino, o envolveu em panos e o deitou em um presépio, porque não havia lugar para eles na hospedaria".

Constantino ordenou ao bispo Makarios de Jerusalém no ano 325 a edificação de uma igreja, muito pequena, com uma planta octogonal diretamente sobre a gruta, que foi incendiada e destruída quase totalmente na revolta samaritana do ano 529 e reconstruída 36 anos depois pelo imperador Justiniano I com sua atual estrutura.

Ao conquistar a Terra Santa em 1099, os cruzados a ampliaram, remodelaram, e usaram como cenário de fundo para coroar a Balduino como primeiro Rei de Jerusalém.

Ao longo de sua longa trajetória, a Basílica sofreu diversos danos e uma deterioração geral que alertou da importância de frear o processo e que fez com que em 2008 o Fundo Mundial de Monumentos a incluísse em sua lista dos 100 lugares em maior perigo.

Especialistas restauradores estudam atualmente as renovações necessárias e preparam um projeto para realizar a maior restauração de sua história, que apresentarão no dia 25 de março.

"O relatório analisará o estado de todos os elementos, tanto os estruturais (teto, colunas, muros) como os decorativos (pinturas e mosaicos)", explicou à Efe o engenheiro chefe do projeto, Issa Murra, que ressaltou que sua principal preocupação é o teto de madeira, em estado precário há 200 anos.

As vigas de madeira do teto estão apodrecendo e não foram substituídas desde o século XIX, por isso que a chuva penetra no edifício e danifica não só suas estruturas, mas também os mosaicos e quadros do século XII que guarda em seu interior.

Embora ainda não se conheçam os detalhes do ingente projeto restaurador, se sabe que sua fase inicial terá um custo de US$ 1 milhão, que tratarão de recolher em todo o planeta.

"Levamos muito tempo esperando a restauração da igreja. É hora da nossa comunidade cristã se sentir atendida. Esta é a mãe de todas as igrejas, deve dar a melhor impressão possível e contar com a estrutura mais forte de todas as igrejas do mundo", assegura o padre Marwán, pároco do templo.

A candidatura é a primeira deste tipo que prepara a ANP, já que até o momento a única cidade palestina reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela Unesco é a cidade de Jerusalém, ocupada por Israel e que obteve essa denominação em 1981, apresentada pela Jordânia.

Os palestinos já anunciaram que, após Belém, proporão uma distinção igual para outras cidades históricas, como Jericó, Hebron, Nablus e Sebastia, em sua estratégia para sentar as bases de um estado que algum dia seja reconhecido pela comunidade internacional como país independente.

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