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Indígenas levam um pedaço de floresta para deserto de Lima

10/02/2011 06h04

Sabrina Rodríguez.

Lima, 10 fev (EFE).- Indígenas da floresta peruana trocaram o verde e a chuva de suas terras amazônicas pela aridez de Lima, uma cidade construída em um deserto, mas que oferece as oportunidades de todas as grandes capitais.

Os shipibos de Lima, junto com outros habitantes, criaram o assentamento de Cantagallo, onde 100 famílias vivem sem água, mas que conseguiram se adaptar a seu novo cenário e agora querem mostrar ao mundo sua cultura com um projeto de turismo.

Pode ser que os shipibos de Lima não sejam muitos, mas são disputados pelos políticos do Governo e da oposição: em um só dia, na terça-feira passada, uma equipe governamental ofereceu um programa de afiliação à seguridade social, e outro de um partido político.

Cantagallo se desdobra às margens do rio Rímac, próximo a uma região histórica de Lima, uma zona onde as "comunidades originárias" (como são chamados os indígenas) do Peru foram construindo seu lar desde a década dos anos 1990.

Parte dos mais de 58 mil metros quadrados deste árido lugar é habitado pela terceira maior etnia indígena do Peru, a comunidade shipiba, originária da zona de Ucayali, na floresta central do Peru, explica à Agência Efe Augusto Vales, vice-presidente da Associação de Artesãos Shipibos residentes em Lima.

Acostumados com seus grandes rios, os shipibos se aproximaram do único curso de água da região, o mísero Rímac, para construir suas pequenas e modestas casas, e preservar suas tradições culturais e gastronômicas.

Conscientes da importância de uma "cultura diferente" e com um idioma próprio (o shipibo), a reunião familiar se transformou na melhor via para garantir a conservação de suas tradições.

"Em nenhum momento queremos ver que perdemos nossa cultura. Temos que seguir cultivando-a", reivindica Vales, enquanto as cozinheiras preparam um jantar típico da floresta, o tacacho com cecina (banana frita com carne defumada), para celebrar o início da refeição.

Pelas ruas poeirentas do "terceiro nível" de Cantagallo, que coincide com a zona mais elevada do povoado, se escutam palavras desconhecidas, pois, como parte de seu sinal de identidade e perante a ausência de escolas do idioma, falam shipibo entre eles.

O mesmo acontece em suas casas, onde, além disso, os mais novos aprendem o ofício dos artesanatos e são iniciados na arte culinária da floresta, já que não longe de suas casas um mercado os abastece de produtos típicos dessa região do Peru como a cocona, fruta alaranjada com fama de afrodisíaca.

A internet, o telefone e a comunicação por rádio permitem que o grupo mantenha contato com seus familiares de Ucayali, "um lugar de ar puro" e que quer voltar em algum momento de sua vida, confessa.

Um dos maiores desejos dos shipibos limenhos é o reconhecimento de um "pedaço de terreno propriamente nosso".

Esta comunidade pôs suas esperanças de futuro em um projeto de turismo vivencial que já apresentou as instituições oficiais e com o qual pretendem transformar o deserto limenho em um pedaço de floresta verde às margens de um rio um pouco mais cuidado.

"Em alguns anos, esta comunidade será de grande atração para turistas, porque terá um projeto de casas com desenho shipibos, como as da floresta, e o projeto do bairro será mais organizado", prevê Vales.

O tempo dirá se o projeto, que já se esboça no bairro, "impactará à República" peruana, como sustenta Vales, e permitirá que os nativos e estrangeiros desfrutem de uma pequena amostra da floresta na desértica Lima.

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