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Infusões milenares curam qualquer mal na Indonésia

09/02/2011 10h07

Paula Regueira Leal.

Yogyakarta (Indonésia), 9 fev (EFE).- As mulheres indonésias utilizam há mais de um milênio as receitas dos "jamu", infusões de ervas medicinais tradicionais que são utilizadas no país para combater qualquer mal, desde a impotência sexual até o câncer.

A elaboração destas beberagens remonta a quase 1.300 anos atrás, quando o antigo império indo-budista dominava o centro da ilha de Java e a família real popularizou o uso de xaropes à base de ervas para o tratamento de muitas doenças, uma prática que se estendeu até a atualidade.

Hoje, os indonésios continuam adquirindo os jamu (cujo significado literal é medicina tradicional) como remédio para aumentar a virilidade, evitar as picadas de mosquito ou curar problemas estomacais.

O elixir também é utilizado para perder peso e até como tratamento complementar para alguns tipos de câncer.

Apesar de a maioria destas infusões estarem isentas de fiscalização médica e sanitária, mais de 59% da população as ingeriu em algum momento, segundo um estudo oficial de 2010.

Os compradores são de todas as idades, gêneros e procedências, mas os principais consumidores do jamu são homens que buscam aumentar seu desempenho sexual.

"O jamu faz com que fiquem mais fortes e melhorem sua confiança", relata Atik, uma jovem escritora e especialista no assunto da cidade de Yogyakarta, um dos lugares do arquipélago onde a tradição é mais popular.

Já entre as mulheres, as beberagens mais solicitadas são as que permitem que, depois de terem a primeira menstruação, "se mantenham magras até que se casem", além das que aumentam a quantidade de leite materno durante o período de lactação, explica Atik.

O gengibre, a curcuma, o tamarindo e a junça são os ingredientes principais dos "jamu", cujo preço oscila entre R$ 1 e R$ 9.

Estas ervas, repartidas em milhares de vasilhas e tigelas, ocupam as mesas de trabalho das "ibu", as idosas que preparam as bebidas intragáveis com receitas que variam de família para família.

Sentadas em pequenas barracas abertas para o público, as mulheres cozinham na hora os xaropes pedidos pelo cliente, picam ervas, misturam e cozem ingredientes enquanto os demais consumidores observa a liturgia com curiosidade.

Apesar de os jamu serem originalmente líquidos engarrafados, nos últimos anos também começaram a ser encontrados em cápsulas e concentrados, como forma de torná-los mais atraentes para os jovens.

Estes novos produtos têm ainda uma vantagem definitiva: evitar o sabor amargo característico da bebida, que a obrigava a ser acompanhada com gema de ovo e água.

Sem uma base científica que respalde seus resultados, os elixires são vendidos abertamente nos coloridos mercados de rua e em alguns supermercados.

O Ministério da Saúde indonésio inclusive decidiu incluí-los em tratamentos recomendadas pelos hospitais para famílias de baixa renda. Mas o pouco controle do produto provocou intoxicações, e em agosto passado oito pessoas morreram em Jacarta após tomar jamu adulterado.

Algo que começou sendo um remédio caseiro na antiguidade é agora conhecido em outros lugares do mundo graças à internet. A receita pelas vendas das infusões chegou em 2010 aos US$ 500 milhões na Indonésia, e outros US$ 10 milhões foram obtidos por vendas no exterior.

O negócio pode ser ainda mais lucrativo no futuro, pois a principal associação do setor prevê que neste ano os lucros aumentem pelo menos 15%.

No entanto, o Governo adverte que os produtores devem melhorar a imagem de marca, sua apresentação e as informações fornecidas ao consumidor para se manterem competitivos frente a outros países conhecidos por sua medicina tradicional.

Diante da incredulidade dos estrangeiros e dos mais jovens dispostos a questionar os benefícios do jamu, as senhoras utilizam um velho truque de comerciante: "Atreva-se a prová-lo!"

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