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Tablets incentivam indústria pornô e preocupam os pais

21/01/2011 06h08

Alfonso Fernández.

Washington, 21 jan (EFE).- Os novos aparelhos eletrônicos como o iPad oferecem mais privacidade no consumo de conteúdo adulto, o que foi aplaudido pela indústria pornô e trouxe preocupação para os pais que buscam formas de controlar o uso da internet pelos filhos.

As empresas de provedores de conteúdo pornográfico identificam estes novos aparatos, liderados pelo iPad e smartphones, como uma oportunidade comercial ao potenciar a privacidade do consumo.

"Reduzimos os preços para os dispositivos móveis frente os computadores pessoais", afirmou Allison Vivas, presidente de Pink Visual, companhia audiovisual especializada em pornografia.

Durante a Feira de Entretenimento Adulto de Las Vegas realizada na semana passada, Vivas explicou que a Pink Visual quer que seu conteúdo seja "mais acessível".

"O aparelho móvel permite um retorno à privacidade, já que os PCs são cada vez mais voltados para o uso de toda a família, enquanto os dispositivos móveis são mais privados e estão com o consumidor o tempo todo", acrescentou Vivas, cuja empresa tem o lema "Inovação no pornô".

Enquanto isso, os pais se mostram menos entusiasmados ao considerar tal tecnologia uma ameaça já que facilitam o acesso incontrolado de seus filhos a conteúdos proibidos para sua idade.

Como resultado, diversas páginas na internet surgiram com dicas e conselhos, além de muitas dúvidas, sobre como configurar os aparelhos para filtrar determinados sites.

A Comissão Federal de Comunicações (FCC) reconhece que este novo tipo de equipamento eletrônico supõe um enorme "desafio" no controle do acesso ao conteúdo adulto.

Em 2007 foi promulgada nos Estados Unidos a Lei de Acesso para Proteção da Criança (do inglês) que estabelece regras "voluntárias" para os provedores de tecnologia online e os incentiva a oferecer programas que facilitem o filtro deste tipo de conteúdo.

Desta forma, a responsabilidade recai nos pais que devem se preocupar em revisar os conteúdos de seus filhos e instalar os programas de controle previamente nos equipamentos.

Neste ponto o puritanismo moral, que tradicionalmente é associado aos Estados Unidos, parece chocar com outra característica dos EUA: sua voraz vocação comercial.

Pode ser o caso da gigante tecnológica Apple que, a partir de março, começará a oferecer o conteúdo integral da tradicional revista erótica "Playboy", já que o aplicativo para iPad lançada no ano passado não permitia a nudez.

Ao apresentar a versão "reduzida" em agosto passado, Hugh Hefner, fundador de Playboy, ironizou sobre os preconceitos de Steve Jobs, chefe-executivo da Apple.

Jobs tinha declarado em abril de 2010 que a Apple "tem uma responsabilidade moral para manter a pornografia fora do iPhone e do iPad".

Nesta semana, foi o próprio magnata das publicações eróticas que anunciou a novidade através da sua conta no Twitter: "Ótimas notícias! Edições antigas e atuais da 'Playboy' estarão disponíveis no iPad em março. 'Playboy' estará no iPad sem censura", comemorou Hefner.

Enquanto isso, a Apple, que apresentou resultado recorde com uma renda de US$ 26,7 bilhões em seu último trimestre, 70,5% mais que durante o mesmo período de 2009, ainda não comentou a mudança de sua política de acesso a conteúdo adulto.

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