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EUA exigem a Twitter dados da conta do WikiLeaks e de vários colaboradores

08/01/2011 17h08

Teresa Bouza.

Washington, 8 jan (EFE).- Uma ordem judicial emitida por um tribunal americano exige à rede social Twitter informação sobre a conta do WikiLeaks, assim como detalhes pessoais de seu fundador, Julian Assange, e vários partidários da organização.

A ordem, assinada em 14 de dezembro pela juíza Theresa Buchanan em Alexandria, na Virgínia, aparece publicada no site da revista "Salon", que teve acesso exclusivo ao documento.

Na citação se pedia ao Twitter que respondesse "no prazo de três dias".

O Twitter recorreu dos termos do documento e conseguiu que a juíza autorizasse na quarta-feira a rede a informar os usuários afetados, que têm 10 dias para recorrer.

O documento pede informação sobre Assange, assim como sobre Bradley Manning, o soldado acusado de ser a fonte de WikiLeaks e Birgitta Jonsdottir, uma legisladora da Islândia que colaborou com Assange na divulgação de um vídeo.

O vídeo mostra como um helicóptero americano dispara contra civis no Iraque em julho de 2007, em um aparente ataque a sangue frio no qual morreram um fotógrafo da Reuters e seu motorista.

A ordem judicial inclui ainda o pirata informático holandês Rop Gonggrijp e o programador americano Jacob Appelbaum. Ambos colaboraram com o WikiLeaks.

Appelbaum foi interrogado por agentes americanos durante três horas em julho passado no aeroporto de Newark, em Nova York, quando retornava ao país após uma viagem ao exterior.

Os agentes alfandegários confiscaram seus telefones, tiraram xerox de alguns de seus documentos e realizaram uma busca em seu computador.

A citação judicial requer informações desde 1º de novembro de 2009 até a atualidade.

O documento sustenta que a informação requerida é "relevante" para "uma investigação criminal em andamento".

A organização destacou neste sábado em comunicado que a citação judicial confirma "a existência de uma investigação governamental secreta americana por espionagem sobre o WikiLeaks".

"Se o Governo iraniano tentasse mediante coerção obter informação sobre jornalistas e ativistas estrangeiros, os grupos de direitos humanos ao redor do mundo se pronunciariam a respeito", afirmou o WikiLeaks.

A organização está no ponto de mira dos EUA desde que divulgou em novembro milhares de documentos confidenciais redigidos por diplomatas baseados em embaixadas americanas em distintas partes do mundo.

A organização vazou ainda 90 mil documentos sobre a guerra do Afeganistão em julho e quase 400 mil sobre a Guerra do Iraque em outubro.

O Twitter se limitou a dizer que sua política consiste em notificar seus usuários, sempre que possível, sobre as solicitações oficiais de informação.

A legisladora islandesa qualificou a citação judicial como "completamente inaceitável".

"O Governo dos EUA quer saber tudo sobre meus tweets desde 1º de novembro de 2009. São conscientes de que sou membro do Parlamento da Islândia?", questionou Birgitta em mensagem no Twitter na sexta-feira.

A política assegurou que empreenderá uma campanha legal para impedir que o Governo dos EUA tenha acesso a suas contas depois que o Twitter informou a ela sobre a ordem judicial.

Birgitta patrocina uma iniciativa para transformar a Islândia em um "refúgio seguro" para jornalistas e meios de comunicação.

O WikiLeaks pediu neste sábado ao Facebook e ao Google que revelem se receberam citações judiciais similares à do Twitter.

A organização tem 1,5 milhão de seguidores no Facebook e cerca de 600 mil no Twitter.

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