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Brasil leva apenas quatro autores à Feira do Livro de Frankfurt

Clarissa Neher

Da Deutsche Welle

08/10/2014 13h45

Um ano depois de ter sido o país homenageado na Feira do Livro de Frankfurt e ter enviado uma comitiva de 70 autores à Alemanha, o Brasil terá uma participação bem mais discreta nesta edição do evento. Apenas quatro escritores representarão o país na maior feira do mercado editorial do mundo, que começa nesta quarta-feira (8) na cidade alemã.

A presença de Ana Martins Marques, Bernardo Kucinski, Eduardo Spohr e Edney Silvestre em Frankfurt foi anunciada no fim de setembro, após a imprensa brasileira divulgar boatos de que nem mesmo haveria escritores brasileiros no evento. Luiz Silva "Cuti" também fazia parte da lista, mas cancelou a participação por motivos de saúde.

A escolha dos nomes se deu em meio a mudanças. Até agosto, cabia à Fundação Biblioteca Nacional coordenar a participação brasileira em feiras no exterior. Mas, com a transferência da Diretoria do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, ou DLLLB, do Rio de Janeiro para Brasília, as políticas de acesso à leitura e promoção da literatura brasileira voltaram a ser responsabilidade do (MinC) Ministério da Cultura.

"Incluímos no orçamento e planejamento estratégico, sobretudo a partir de 2015, a participação em algumas feiras numa perspectiva mais sistemática e contínua", afirma Fabiano dos Santos, diretor da DLLLB. "Foi feita uma programação do MinC com o Itamaraty para levarmos a Frankfurt cinco autores que tiveram suas obras traduzidas [para o alemão] por meio do programa da Biblioteca Nacional de apoio à tradução de autores brasileiros no exterior."

Santos reforça que a grande presença de autores brasileiros em Frankfurt no ano passado se deveu ao fato de o Brasil ter sido o país homenageado e, por isso, a atual redução seria compreensível. "Nós entendemos que a responsabilidade da promoção da literatura brasileira no exterior é do Estado, ao fomentar a participação em feiras estratégicas, mas também é uma co-responsabilidade do setor privado, e o mercado editorial vai estar presente na feira", diz.

Editoras e programa de tradução

Neste ano, 65 editoras brasileiras estarão presentes em Frankfurt. A maioria, 41, vai expor no estande do projeto Brazilian Publishers, uma parceria entre a CBL (Câmara Brasileira do Livro) e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), que visa fomentar a exportação de conteúdo editorial.

Para o tradutor do português para o alemão Michael Kegler, que acompanhou de perto a participação do Brasil como homenageado em Frankfurt, feiras são apenas um dos elementos de promoção literária internacional. "Em relação à divulgação, acho importante o programa de apoio à tradução. No momento em que o Brasil mostra que esse programa continua, ele se revela um parceiro sério, para quem o empenho não acaba em festa após um ano de homenagens", diz Kegler.

A presença constante de autores brasileiros em outros países é mais importante do que participações pontuais, considera o tradutor. E essa constância é mantida em Frankfurt, onde autores brasileiros estão com frequência para divulgar seus trabalhos, avalia.

Até a véspera da feira, o MinC não soube informar quais atividades terão a presença dos quatro autores brasileiros. O ministério confirmou, porém, que eles participarão de uma "noite de literatura brasileira" no Instituto Cervantes, na sexta-feira. O evento --realizado pelo MinC, Itamaraty e CBL, com o apoio do Centro Cultural Brasileiro em Frankfurt-- incluirá duas mesas de debates mediadas por Kegler.

A edição deste ano da Feira do Livro de Frankfurt, que homenageia a Finlândia, vai até este domingo.

Brasileiros na Feira de Frankfurt

  • Danilo Verpa/Folhapress

    Ana Martins Marques

    Em 2009, a poetisa mineira publicou seu primeiro livro, "A vida submarina", que reúne os poemas vencedores do Prêmio Cidade de Belo Horizonte de 2007 e 2008. Dois anos depois, ela lançou seu segundo livro, "Da arte das armadilhas", pelo qual recebeu o prêmio Alphonsus Guimaraens da Fundação Biblioteca Nacional em 2012.

  • Flavio Moraes/Fotoarena/Estadão Conteúdo

    Bernardo Kucinski

    O jornalista e cientista político lançou seu mais recente livro, o romance "K.", em 2011. A obra retrata a busca de um pai por uma filha desaparecida durante a ditadura militar no Brasil. Em 1997, Kucinski ganhou o Prêmio Jabuti pelo livro "Jornalismo Econômico". O professor aposentado da USP é autor de importantes obras como "A síndrome da antena parabólica" e "Jornalismo na Era Virtual".

  • Divulgação

    Eduardo Spohr

    "A batalha do Apocalipse", primeiro livro do romancista, entrou na lista dos mais vendidos no país em 2010, após ser lançado pela editora Verus. O best-seller já havia sido publicado em 2007, mas apenas na internet. Em 2013, o jornalista especializado em mídias digitais lançou seu quarto e mais recente livro, o segundo da saga "Filhos do Éden".

  • Letícia Moreira/Folhapress

    Edney Silvestre

    Em 2010, o primeiro romance do jornalista, "Se eu fechar os olhos agora", ganhou tanto o Prêmio Jabuti de melhor romance como o Prêmio São Paulo de Literatura. Em 2014, ele publicou seu quarto romance, "Boa noite a todos". Além de romances, o escritor já havia lançado outras obras, como "Contestadores" e "Dias de cachorro louco".