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Feira de Frankfurt nega racismo na seleção de escritores brasileiros

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Jürgen Boos rebate acusação de jornal alemão sobre suposto racismo na escolha de membros da comitiva de autores brasileiros para a Feira do Livro de Frankfurt Imagem: picture-alliance/dpa/deutsche welle

01/10/2013 15h15

Em entrevista a representantes da imprensa estrangeira na semana passada em Berlim, o presidente da Feira do Livro de Frankfurt, Jürgen Boos, rejeitou a acusação de que teria havido racismo na seleção dos integrantes da comitiva oficial de autores brasileiros para o evento, que neste ano tem o Brasil como país convidado. "Com toda certeza, não houve nenhum racismo", afirmou.

Uma reportagem publicada mês passado pelo conceituado jornal alemão "Süddeutsche Zeitung" argumenta que, embora 70 escritores tenham sido convidados pelo comitê organizador da participação brasileira, haveria apenas um negro (Paulo Lins) e um descendente de índios (Daniel Munduruku). O artigo conclui que, por isso, o setor livreiro internacional só conhecerá em Frankfurt "um pedaço da grandiosa criatividade brasileira", como alguém que "anda pela Floresta Amazônica ou por Salvador da Bahia com o som ambiente desligado".

"Temos esta mesma discussão todos os anos. Não tem nada a ver com o Brasil ou com minorias", ressaltou. "Quando é feita uma seleção, então é natural que alguns fiquem de fora", observou Boos. Ele reconheceu, entretanto, haver a possibilidade de se realizar uma seleção de acordo com proporcionalidade, como a que ocorreu em 2012, ano em que o país convidado era a Nova Zelândia.

Critérios
"No ano passado, sentimos uma grande presença maori. Mas é um dos grandes grupos étnicos da Nova Zelândia, e o país tem tradição de proporcionalidade", comentou. "Não sei quantas centenas de etnias há no Brasil. Mas há outros critérios, como o reconhecimento que o autor tem no país, se ele já foi traduzido, o que é importante, e a forma como ele representa a nação, a língua", sublinhou Boos. "Tenho certeza que, por isso, sempre há os que são deixados de fora, mas isso não é racismo."

A seleção dos nomes para a comitiva oficial é de encargo do lado brasileiro da parceria firmada com a Feira do Livro de Frankfurt.
Boos elogiou o fato de a apresentação brasileira ser pautada por uma imagem que deixa de lado os aspectos mais folclóricos. "O que acho muito legal é que a apresentação do país convidado não brinca com clichês e mostra um Brasil bastante intelectual. Não é caipirinha e samba", comparou. "A cultura brasileira se mostra de outra forma, mais afiada, mais intelectual e sofisticada."

Ele lembra, no entanto, que a parte mais típica não será totalmente esquecida. "Vai haver também sessões de cozinha", observou, referindo-se às promoções de livros de gastronomia brasileira, a ser feita por chefes de cozinha no estande chamado Cozinhando com as Palavras. O futebol também promete ser outro tema de destaque do espaço brasileiro.

  • Karina Goldberg/Frankfurter Buchmesse

    Cartaz da Feira do Livro de Frankfurt 2013: Brasil tenta se mostrar sem clichês

Mais traduções
O presidente da Feira do Livro de Frankfurt também ressaltou o grande número de livros de autores brasileiros lançados na Alemanha por ocasião do encontro. Ele afirmou que até agora são cerca de 300 títulos brasileiros traduzidos do português, quase metade deles, obras de ficção. Esse aumento se deve às diversas bolsas de incentivo lançadas especialmente para o evento. "Sem essa ajuda, não teria sido possível alcançar esse volume de traduções", admitiu.

Boos espera, porém, que o impulso para literatura brasileira na Alemanha tenha frutos futuros e dá exemplo do que ocorreu com nações convidadas por Frankfurt em anos anteriores. "Vemos que há uma certa sustentabilidade. Um exemplo é um livro de um autor neozelandês só publicado agora, um ano depois que a Nova Zelândia foi país convidado", frisa.

Interesse no mercado brasileiro
Jürgen Boos também não esqueceu do lado mais comercial do setor livreiro. Segundo ele, há um grande interesse das editoras alemãs em investir em livros didáticos no Brasil, um mercado considerado promissor pelos europeus.

"O país compra cerca de 150 milhões de livros por ano, só para escolas. Incluindo o sistema de bibliotecas, acho que são cerca de 400 milhões de livros por ano. O Estado é o grande comprador de livros no Brasil", lembrou. "E quem não sonha em conseguir um contrato desse tamanho? Por isso, as grandes editoras de livros didáticos daqui estão de olho no Brasil." Ele espera que a feira seja um espaço para importantes contatos de negócios entre europeus e brasileiros.

A Feira do Livro de Frankfurt será realizada entre 9 e 13 de outubro. Neste ano, a organização destaca o aumento da participação internacional em relação aos anos anteriores. Cerca de 60% dos quase 7.400 expositores vêm do exterior.

 

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