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Livros de sobreviventes do Holocausto retornam à Alemanha

14/08/2011 10h31

Os alunos da escola de Ensino Médio Grabbe, em Detmold, têm fama de bagunceiros. Mas no dia em que o pacote de Jerusalém chegou, não se escutava um pio nos corredores do colégio.

"Nosso professor chegou tarde para a aula de História e todos nós ficamos imaginando o que tinha acontecido. Daí ele veio com o pacote e nós o abrimos e vimos esses lindos livros", contou a estudante Charlotte Schimanovsky, de 15 anos.

Os seis livros amarelados um dia pertenceram a uma garota judia chamada Ada Brodsky. Nascida em Frankfurt do Oder, bem no leste da Alemanha, em 1924, Ada mal tinha completado 15 anos – a mesma idade de Charlotte e seus colegas – quando foi obrigada a fugir da Alemanha nazista.

"Ela foi uma pessoa maravilhosa", disse Charlotte com admiração, demonstrando que estudou a biografia da menina que veio junto com os livros. "Eu estou impressionada com que ela conseguiu".

Unindo culturas

Apesar dos horrores do Holocausto, Ada Brodsky se manteve determinada a valorizar as coisas boas da cultura do país que deixou. Ela guardou com todo o carinho os livros alemães que conseguiu carregar na fuga, e também começou uma carreira literária de sucesso introduzindo clássicos germânicos para o público hebreu.

Agora, mais de 50 anos depois, seus livros voltaram para a Alemanha como parte de um projeto chamado Lightweight Packages ("pacotes leves"), criado pela diretora do Instituto Goethe em Jerusalém, Simone Lenz.

Quando Lenz chegou a Jerusalém há seis anos, ela logo se viu abarrotada de pedidos feitos por descendentes de refugiados alemães que tinham a esperança de encontrar um lar para os livros trazidos da Alemanha.

A maioria destas pessoas já está na segunda, terceira geração, e há tempos perdeu contato com a língua alemã falada pelos avós. Sem estarem sendo lidos, portanto, eles estavam apenas acumulando pó.

"Fiquei comovida por eles terem trazido estes livros de vários autores cujas obras foram queimadas na Alemanha nos anos 1930", lembrou Lenz, que imediatamente começou a planejar uma maneira de levar as obras de volta ao país de origem.

A volta para casa

Juntamente com a estudante Caroline Jessen, Lenz trabalhou na busca por informações sobre os donos das obras. Depois, ela entrou em contato com várias escolas alemãs, oferecendo aos professores a chance de receber uma parte dos livros intimamente ligadas à biografia individual de vários sobreviventes do Holocausto que viveram em Israel.

O professor Steven Förster, da escola em Detmold, abraçou imediatamente a ideia de fazer parte do projeto. "Se você não tem uma história pessoal com a qual os alunos possam se relacionar, vira uma aula comum. Mas se você consegue ligá-los emocionalmente à vida por exemplo de Ada Brodsky, então a história é mais tocante e fica mais tampo na cabeça", afirmou Förster. "Assim deveriam ser as aulas de história", complementa.

De acordo com o professor, os benefícios educacionais e sociais são grandes ao desenvolver essa relação pessoal com eventos históricos. "Se um aluno realmente refletir sobre o tema, então ele pode tirar as conclusões certas. E isso ajuda não apenas o aluno, mas também a sociedade", disse.

Ada Brodsky morreu antes que parte de seus livros retornassem à Alemanha. No entanto, os alunos de Förster enviaram para Israel um pacote cheio de cartas expressando seu agradecimento. Eles esperam que a família de Ada leia as cartas e que este seja o início de um contato duradouro.

Neste meio tempo, inspirado pelo projeto, Förster se animou a tentar uma proposta parecida com pessoas que viveram sob o regime comunista na antiga Alemanha Oriental.

Autoras: Kate Laycock/ Irris Mackler (ms)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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