Galeria Tate Modern, de Londres, completa dez anos

  • Shaun Curry / AFP

    Galeria Tate Modern, à margem do Rio Tâmisa, em Londres, em registro de maio de 2008, quando sua fachada havia sido pintada por artistas urbanos para exposição

    Galeria Tate Modern, à margem do Rio Tâmisa, em Londres, em registro de maio de 2008, quando sua fachada havia sido pintada por artistas urbanos para exposição

Seja pela sala de turbinas ou pelas espetaculares instalações, seja por causa de sua coleção de arte moderna e contemporânea ou por causa do edifício em si, com vista para a Catedral de São Paulo, a Tate Modern se transformou em um dos museus mais famosos do mundo. E faz tanto sucesso que suas instalações deverão ser ampliadas.

"Acredito que seja por causa do edifício. E pela forma como se expõe arte aqui", opina Nicholas Serota, diretor das galerias Tate, numa entrevista concedida por ocasião do décimo aniversário do museu. "É uma instituição que as pessoas consideram muito acessível".

O edifício, uma velha usina elétrica, é realmente de suspender o fôlego. Seu arquiteto, Gilbert Scott, criador das típicas cabines telefônicas vermelhas em Londres, planejou o gigante de tijolos nos anos 40, à margem sul do Tâmisa, em frente a St. Paul. 

A história de Londres na Tate

Assim, a história da Tate também é a história das mudanças que Londres tem vivido. Quando os arquitetos suíços Herzog & de Meuron começaram, nos anos 90, a converter a vazia Bankside Power Station num museu, a imagem da cidade também começou a mudar. Com a inauguração do projeto, em 12 de maio de 2000, o Southwark deixou de ser visto como bairro decadente para se tornar lugar da moda. De repente, o sul do Tâmisa voltou a atrair moradores. E se construíram apartamentos luxuosos, a serem adquiridos somente por ricos.

Pela ponte Millenium, criada pelo arquiteto Norman Foster na mesma época, cruzam hoje massas humanas em ambas as direções. Mas a inauguração da Tate foi também um marco para a arte. Londres já tinha museus de alta classe, como a National Gallery e a Tate Britain, "matriz" da Tate Modern.

No entanto, ao contrário de Paris ou Nova York, não existia um museu inteiramente dedicado à arte moderna e contemporânea. E aquele era o momento adequado: Londres florescia, o setor financeiro estava em alta e a arte britânica atraía atenção internacional.

Arte interativa

Foi a época em que o colecionador Charles Saatchi tornou famosos artistas como Damien Hirst e Tracey Emin. "Charles transformou Londres numa cidade onde se queria ver arte contemporânea", observa Serota.

A coleção parte de 1900 e se estende até a atualidade. As obras, entre as quais algumas de Matisse, Picasso, Dalí, Rothko e Beuys, não são expostas cronologicamente, mas sim em segmentos temáticos. É que, ao contrário do Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York, por exemplo, a Tate Modern tem muitas lacunas que ficariam óbvias numa ordem cronológica. Isso possibilitou, por outro lado, experimentar uma nova concepção de museu.

Os visitantes aprovaram. A expectativa inicial era de aproximadamente dois milhões de visitas por ano, mas agora já são quase cinco milhões. O motivo? Muito provavelmente as instalações espetaculares na sala de turbinas. "Não dá para fazer de conta que este lugar seja normal", diz o artista alemão Carsten Höller, que montou em 2006 um tobogã gigante dentro do projeto Unilever Series.

Tate Modern 2 em 2012

A "arte interativa" diverte. A maioria das obras inclui a participação do observador. Esse foi o caso, por exemplo, do Weather Project de Olafur Eliasson, que fez brilhar um sol artificial, ou da gigantesca estrutura de Miroslaw Balka na qual a escuridão dominava. Em outubro chegará a vez do artista chinês Ai Weiwei, que marca o primeiro contato mais próximo da Tate Modern com a China – até agora, somente artistas ocidentais haviam exposto na sala de turbinas.

Pensando no futuro, a Tate Modern está planejando uma ampliação. O projeto prevê um anexo na forma de uma pirâmide gigantesca, além da reforma dos velhos tanques da usina. As mudanças aumentarão em 60% a área de exposição. Novamente, o escritório de arquitetura suíço Herzog & de Meuron foi encarregado da missão.

Os problemas financeiros, contudo, também ameaçam as instituições de sucesso. Na verdade, a Tate Modern 2 deveria estar pronta para os Jogos Olímpicos de 2012 em Londres, mas dos 215 milhões de libras (247 milhões de euros, 320 milhões de dólares) previstos, apenas 75 milhões foram liberados. Portanto, não se sabe se o projeto vai sair do papel em sua totalidade até 2012. Até lá, pelo menos os tanques no porão já deverão estar prontos.

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