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Pollock que MAM do Rio colocará à venda pode valer R$ 67 milhões

Imagem da obra "Número 16"  - Divulgação
Imagem da obra "Número 16" Imagem: Divulgação

Katya Kazakina*

18/10/2018 14h10

 Uma pequena pintura de Jackson Pollock originalmente comprada por US$ 306 em 1950 pelo futuro vice-presidente dos EUA, Nelson Rockefeller, pode alcançar US$ 18 milhões (cerca R$ 67 milhões na cotação atual) no mês que vem, quando for colocada em leilão por um museu brasileiro com problemas financeiros.

O "Número 16" será o principal lote da noite de venda de século 20 e arte contemporânea da Phillips em 15 de novembro, em Nova York. O vendedor é o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, que recebeu o quadro, uma pintura por gotejamento, em 1952 de presente de Rockefeller, que descende da família que ajudou a fundar o Museu de Arte Moderna de Nova York.

A Phillips é a mais nova casa de leilões a tentar capitalizar o nome Rockefeller. Em maio, a Christie's vendeu mais de US$ 800 milhões em objetos de arte e decoração e móveis da herança do irmão de Nelson, David, e todos os lotes foram arrematados. A Sotheby's oferecerá centenas de objetos da herança de Nelson e Happy Rockefeller a partir do mês que vem.

"Há uma verdadeira magia nessa procedência", disse Robert Manley, codiretor de século 20 e arte contemporânea da Phillips. "Eles foram os maiores colecionadores de sua época. Eles tinham possibilidades e muito bom gosto. As pessoas sabiam que boa parte daqueles objetos de arte terminaria nos grandes museus."

"Número 16" foi uma das 16 pinturas conhecidas feitas em 1950 em peças de 56,5 centímetros quadrados de Masonite, um tipo de madeira prensada, segundo Phillips. O artista tinha vários painéis desse tipo no estúdio, que sobraram de um trabalho de impressão feito pelo irmão, Sanford, em 1948.

A superfície é coberta com redemoinhos e pingos de tinta sobre um fundo prateado, acentuados com toques de amarelo, vermelho e verde sobre linhas finas.

"É uma joia primorosa em pequena escala", disse Manley. "Ele tem essa nitidez. A linha está quase dançando."

O pintor norte-americano Jackson Pollock - Reprodução - Reprodução
O pintor norte-americano Jackson Pollock
Imagem: Reprodução

A decisão de leiloar o único Pollock aberto a exibição pública do Brasil provocou uma indignação generalizada no mundo da arte do país e foi contestada pelo Instituto Brasileiro de Museus. Mas o Ministério da Cultura apoiou a venda, considerando que a decisão do museu, com dificuldades financeiras, era um mal infeliz, mas necessário.

Nelson Rockefeller comprou a pintura da exposição individual de Pollock na Betty Parsons Gallery, que incluiu algumas de suas maiores obras-primas: o "Lavender Mist: Number 1" está na coleção da National Gallery of Art, em Washington; o "Number 31" está no MoMA; e "Autumn Rhythm: Number 30" está no Metropolitan Museum of Art.

O artista estava no auge. Um ano antes, em 1949, Pollock apareceu em um artigo da revista Life que perguntava: "Ele é o maior pintor vivo dos EUA?" Nascido no Wyoming, nos EUA, Pollock morreu em 1956, em acidente de carro nos Hamptons, aos 44 anos.

*Com a colaboração de Sabrina Valle e R.T. Watson.

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