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A polêmica sobre campos de extermínio nazistas que opôs a Polônia ao Netflix

Auschwitz foi um dos campos de extermínio construídos na Polônia - GETTY IMAGES
Auschwitz foi um dos campos de extermínio construídos na Polônia Imagem: GETTY IMAGES

12/11/2019 11h43

O primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, enviou uma carta ao Netflix insistindo em mudanças no documentário The Devil Next Door (o diabo ao lado), sobre campos de extermínio nazistas.

Na carta enviada no domingo, 10, e publicada em sua página de Facebook, Morawiecki diz que um mapa que aparece na série localiza os campos de extermínio dentro das fronteiras atuais da Polônia.

Para o líder polonês, a representação coloca a Polônia como responsável pelos campos de extermínio, quando, na verdade, o país estava ocupado pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial.

A empresa de streaming de filmes e séries disse à Reuters que estava ciente das preocupações sobre o documentário e acrescentou que o assunto estava sendo analisado.

A Alemanha nazista invadiu a Polônia em 1939, fato que marcou o começo da guerra. Ali, os alemães construíram campos de concentração, incluindo Auschwitz, onde mataram milhões de pessoas — judeus, em sua maior parte.

Primeiro-ministro polonês escreveu uma carta para o CEO do Netflix pedindo mudanças em documentário sobre campos de extermínio nazistas - KACPER PEMPEL/REUTERS
Primeiro-ministro polonês escreveu uma carta para o CEO do Netflix pedindo mudanças em documentário sobre campos de extermínio nazistas
Imagem: KACPER PEMPEL/REUTERS

Em sua carta para o CEO da Netflix, Reed Hastings, Morawiecki disse que era importante "honrar a memória e preservar a verdade sobre a Segunda Guerra e o Holocausto".

Ele acusou "certos trabalhos" no Netflix de serem "muito imprecisos" e de estarem "reescrevendo a história". "Não só há um mapa incorreto, como ele leva espectadores a acreditarem que a Polônia foi responsável por estabelecer e manter aqueles campos e cometer aqueles crimes."

À sua carta, o primeiro-ministro anexou o mapa da Europa do fim de 1942, assim como um depoimento de Witold Pilecki, que foi voluntariamente preso em Auschwitz e escreveu sobre suas experiências depois de conseguir escapar.

"Acredito que esse erro terrível tenha sido cometido sem querer", escreveu Morawiecki, pedindo que a empresa "corrija isso assim que possível", mudando o mapa ou informando o público do erro.

O Ministério de Relações Exteriores da Polônia mandou uma mensagem para o Netflix pelo Twitter, pedindo que se "mantivesse fiel a fatos históricos". "Durante o período em que The Devil Next Door descreve, o território da Polônia estava ocupado, e a Alemanha nazista era responsável pelos campos. O mapa mostrado na série não reflete as fronteiras daquela época."

No ano passado, a Polônia introduziu leis criminalizando termos que implicassem que a Polônia tenha sido responsável pelas atrocidades cometidas pela Alemanha nazista.

No entanto, um clamor internacional fez com que o governo removesse a ameaça de prisão por até três anos como consequência do uso de termos do tipo.

A maior parte da população de judeus da Polônia foi exterminada durante a ocupação.

Houve, no entanto, algumas atrocidades cometidas pela Polônia contra judeus e outros civis durante e depois da guerra.

Em 1941, moradores de vilas da Polônia na cidade de Jedwabne, talvez instigados pelos nazistas, reuniram mais de 300 de seus vizinhos judeus, que foram então queimados vivos em um celeiro.

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