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O assassinato brutal que levou Anne Hathaway a se engajar contra o racismo nos EUA

Anne Hathaway em evento em Nova York, em março de 2017 - Evan Agostini/Invision/AP
Anne Hathaway em evento em Nova York, em março de 2017 Imagem: Evan Agostini/Invision/AP

27/07/2018 18h14

“Tudo aconteceu num estalar de dedos, tão rápido quanto a queda de um alfinete." Foi com estas palavras que o chefe da polícia ferroviária de São Francisco (EUA), Carlos Rojas, descreveu o assassinato de Nia Wilson, numa entrevista a jornalistas na segunda-feira (23). A jovem afro-americana de 18 anos de idade foi assassinada na noite de domingo, em Oakland, no Estado da Califórnia.

Ela e sua irmã, Lahtifa, estavam voltando para casa de trem, após um evento familiar. Foram esfaqueadas - apenas Lahtifa sobreviveu. "[O crime contra Nia e Lahtifa] Me lembra um ataque no pátio de uma cadeia", disse Rojas. "Tudo acontece tão rápido que, antes que alguém possa reagir, o criminoso sai correndo", disse. O principal suspeito do crime se chama John Lee Cowell, e está preso.

O policial Rojas disse que Cowell saiu da prisão há quatro meses, e se encontrava em liberdade condicional. Ele já havia sido condenado por roubo e espancamento. Suspeito de motivação racial, o homem viajou no mesmo vagão que as irmãs Wilson até a plataforma de MacArthur, onde ocorreu o crime. Segundo Rojas, as imagens do circuito interno de TV do trem mostram que as duas não interagiram com Cowell até o momento do ataque.

Lahtifa, irmã da vítima, disse à rede de TV americana ABC 7: "Quando olhei para trás, ele estava limpando a faca. Parou na escada e ficou me olhando", disse ela. "Eu estava cuidando da minha irmã." Segundo a polícia, ainda não está claro se o ataque teve uma motivação racial - o suspeito é branco. Na segunda-feira, Cowell foi preso enquanto viajava em outro trem, depois de ser identificado por um informante da polícia.

Rojas disse que este foi o ataque "mais cruel" que ele viu em quase 30 anos de trabalho como policial. Palavras de repúdio O repúdio ao assassinato foi unânime. Sem dúvida, a manifestação que mais repercutiu nos meios de comunicação e redes sociais foi a da atriz norte-americana Anne Hathaway. "Era uma mulher negra e foi assassinada a sangue frio por um homem branco", escreveu Hathaway na sua conta do Instagram, que acumula com mais de 12 milhões de seguidores.

"As pessoas brancas, incluindo eu, incluindo você, devemos ter clareza até a medula de nossos ossos privilegiados. A verdade é que TODOS os negros temem por suas vidas DIARIAMENTE na América, e isso vem ocorrendo há GERAÇÕES", escreveu a atriz. "Devemos (brancos) perguntar-nos a nós mesmos: o quão 'decentes' somos realmente? Não em nossas intenções, mas em nossos atos? Em nossa falta de ação?", questionou a atriz.

Outras artistas de Hollywood, como Reese Witherspoon e Tracee Ellis Ross, também se manifestaram. Na segunda-feira, a prefeita de Oakland, Libby Schaaf, comentou o ataque. "O fato de que suas vítimas tenham sido mulheres negras americanas desperta uma dor profunda e um medo palpável em todos nós, que reconhecemos que nosso país continua preso a uma trágica e profunda história de racismo", disse ela.