PUBLICIDADE
Topo

A coreógrafa por trás do sucesso "This is America", de Childish Gambino

Cena do clipe "This is America", de Childish Gambino - Reprodução
Cena do clipe "This is America", de Childish Gambino Imagem: Reprodução

06/07/2018 17h28

Incensado pela crítica, o videoclipe de "This is America", do rapper americano Childish Gambino, já superou a marca de 300 milhões de visualizações no YouTube. Trata-se de uma crítica principalmente ao racismo e à violência por armas de fogo nos Estados Unidos. Mas poucos conhecem a verdadeira responsável pela coreografia do videoclipe, que gerou debates no mundo todo: Sherrie Silver, de apenas 23 anos.

Sherrie Silver - BBC - BBC
Sherrie Silver, coreógrafa do clipe "This is America", de Childish Gambino
Imagem: BBC

Nascida em Ruanda, país africano que atravessou décadas de guerra civil, ela diz que foi descoberta por acaso, no YouTube. "Cresci na África; na igreja, sempre dançávamos. Não ficávamos só sentados (durante as celebrações) ", diz.

"Então, o que antes fazia por diversão acabou se tornando um trabalho, quando passei a pôr meus vídeos no YouTube. E, por meio desses vídeos, as pessoas disseram: 'Opa, há algo de diferente sobre essa menina'. As pessoas começaram a me ligar, me ligar, me ligar. E me ofereceram vários trabalhos - foi assim que consegui todos eles, honestamente", acrescenta.

Segundo Sherrie, a sobrinha do empresário de Childish Gambino, Fam, tinha visto vídeos dela no YouTube. "Ela falou: 'Olha para essa menina'. E ele (Fam) mostrou meu vídeo a Donald Glover (o verdadeiro nome de Childish Gambino)", conta. "Então, Donald falou: 'Sim, vamos contratá-la'. Foi muito louco, na verdade", acrescenta.

Sherrie diz ter ficado surpresa com a repercussão do vídeo. "No primeiro dia, o vídeo teve 20 milhões de visualizações. Em uma semana, já tinha 100 milhões", lembra.

O clipe é repleto de referências a episódios de racismo e violência por armas de fogo na história dos Estados Unidos. Nas imagens, Gambino dança dentro de um armazém, interagindo com uma série de cenas caóticas.

Aos 53 segundos, por exemplo, o cantor dispara na nuca de um homem com um revólver, enquanto imita a pose cômica semelhante à de Jim Crow (uma caricatura criada pelo escritor Thomas D. Rice no século 19 para zombar dos negros).

"Levo a África para o mundo, e o mundo para a África, por meio da dança", diz Sherrie. "Isso é importante para mim, pois tenho orgulho de ser africana; tenho orgulho do meu país, Ruanda", completa.

Sherrie também quer romper estereótipos. "Acho que todo o mundo precisa saber quem somos. Não somos apenas pobreza, doença e tristeza que você vê na mídia. Também somos felicidade, dança, moda e paixão. E boa comida. Com vários sabores, na verdade", conclui.