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Por que algumas mulheres não usaram preto em protesto na entrega do Bafta

Getty Images
Kate Middleton durante sua presença no Bafta 2018 Imagem: Getty Images

Da BBC

19/02/2018 08h24

Quase todos os convidados da cerimônia de domingo do Bafta, o prêmio britânico de cinema, em Londres, usaram preto em apoio às campanhas Time's Up e Me Too contra o assédio sexual. Apenas quatro ou cinco pessoas foram vistas com roupas de outras cores. E alguns dos indicados ao prêmio, em vez de levarem maridos e esposas ao evento, surgiram ao lado de ativistas.

Uma das poucas mulheres a não seguir o "traje de protesto" foi a duquesa de Cambridge, Kate Middleton. Ela estava usando um vestido verde-escuro com uma faixa preta.

Bethan Holt, diretora de notícias de moda do jornal britânico The Telegraph, explicou à BBC que faz parte do protocolo da realeza britânica não aderir a protestos e manifestações.

"A família real raramente se envolve em mensagem política, logo talvez não seja tão surpreendente que ela não tenha se juntado às outras mulheres que vestiram preto", afirmou.

Mas será que a escolha por uma tonalidade escura e o uso da discreta faixa preta já seriam sinais de adesão ou simpatia à causa?

Hannah McKay/Reuters
Grupo protesta no tapete vermelho do BAFTA Imagem: Hannah McKay/Reuters

Vencedora de prêmio também não usou preto

Outra mulher que destoou por não usar roupa toda preta foi a atriz Frances McDormand, que venceu o prêmio de Melhor Atriz por sua atuação no filme Três Anúncios para um Crime. Ela recebeu a estatueta com um vestido estampado vermelho e preto.

Apontando para a própria roupa, McDormand disse: "Eu tenho um pouco de dificuldade em cumprir regras".

Ela ressaltou, porém, que apoia o protesto contra o assédio sexual. "Mas quero que saibam que eu sou totalmente solidária às minhas irmãs de preto. Também quero dizer que aprecio uma bem organizada desobediência civil."

Além de render o prêmio a McDormand, o Três Anúncios para um Crime recebeu outros quatro prêmios (incluindo Melhor Filme e Melhor Filme Britânico), se consagrando o grande vencedor da noite.

"Nosso filme é de esperança em vários sentidos, mas também de raiva. E, como temos visto este ano, às vezes a raiva é a única forma de fazer as pessoas ouvirem e mudarem, então estamos entusiasmados que o Bafta tenha reconhecido isso", disse o diretor Martin McDonagh.

Discursos contra assédio e desigualdade

O uso de roupas pretas como forma de protesto contra o assédio foi inaugurado na cerimônia deste ano do Globo de Ouro, quando vencedores do prêmio usaram o discurso de agradecimento para chamar a atenção para o problema.

As campanhas surgiram depois de uma série de acusações de assédio e estupro contra o poderoso produtor cinematográfico americano Harvey Weinstein - ele diz que todas as relações sexuais foram consensuais.

Desde que as denúncias vieram a público, várias personalidades usaram as redes sociais para falar sobre o assunto, algumas detalhando o assédio que sofreram.

A hashtag #MeToo ("eu também", em tradução do inglês) passou a ser adotada por homens e mulheres que já sofreram algum tipo de assédio. E astros de Hollywood lançaram a campanha "Time's Up", (algo como "o tempo acabou") para prestar auxílio jurídico a mulheres vítimas de abuso sexual no trabalho.

A atriz Salma Hayek, que também compartilhou sua experiência pessoal com Weinstein, fez uma brincadeira ao entregar o prêmio Bafta de Melhor Ator.

"Neste importante e histórico ano para as mulheres, eu estou aqui neste palco legendário para celebrar os homens", disse, antes de entregar a estatueta ao ator Gary Oldman por sua atuação em O Destino de Uma Nação.

Do lado de fora do fora do evento, ativistas protestaram contra a primeira-ministra britânica Theresa May. Alguns deles usavam camisetas com os dizeres "Time's Up Theresa".

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