Livros e HQs

Em Salão de Paris, editoras tentam "compensar" crise no mercado brasileiro

Bertrand Guay/AFP
20.mar.2015 - Visitante lê a HQ "Dois Irmãos", dos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá, durante o Salão do Livro de Paris Imagem: Bertrand Guay/AFP

Daniela Fernandes

De Paris

20/03/2015 18h40

As editoras brasileiras apostam no Salão do Livro de Paris de 2015,– no qual o Brasil é o convidado de honra, como forma de amenizar os efeitos da crise no mercado nacional, agravada pela redução das compras governamentais, que totalizam quase um terço das receitas do setor.

A 35ª edição do Salão do Livro de Paris abre as portas ao público nesta sexta-feira (20) e o Brasil participa com 43 autores. Esta é a primeira vez na história da concorrida feira parisiense que um país volta a receber a honraria. O Brasil havia sido o país homenageado também em 1998.

Além de representar uma "grande oportunidade" para divulgar a literatura brasileira no exterior, o salão também "possibilita um aumento nas vendas de títulos e de direitos autorais na França, aquecendo o mercado nacional", afirma Karine Pansa, diretora da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e membro do comitê que organizou a participação do Brasil no evento.

As exportações brasileiras de livros impressos (geralmente títulos em português) ainda são baixas, mas vêm crescendo nos últimos anos. Desde 2010, o aumento é de quase 64%, segundo dados da CBL.

Fato inédito até recentemente, o Brasil também passou a exportar direitos autorais. "Antes éramos apenas compradores. Agora já podemos dizer que vendemos também direitos autorais", disse Pansa à BBC Brasil.

A França já é o terceiro maior comprador de livros do Brasil e também possui um dos maiores mercados literários do mundo. "Estamos colocando uma semente em um mercado alvo", disse a diretora da CBL.

Pouca leitura

O mercado editorial brasileiro faturou R$ 5,3 bilhões em 2013, cifra bem inferior ao mercado francês. Apesar da população francesa ser apenas um terço da brasileira, o país faturou 3,9 bilhões de euros (cerca de R$ 13,8 bilhões) com a venda de livros impressos em 2014.

Em 2014, foram vendidos na França 351 milhões de livros impressos, segundo estudo da consultoria GkK, o que representa quase cinco exemplares por habitante no ano. No Brasil, segundo pesquisa da CBL, metade dos brasileiros nunca leu um livro.

As exportações globais brasileiras de livros impressos passaram, segundo dados da CBL, de quase US$ 1,7 milhão em 2010 para US$ 2,7 milhões em 2013 (os números de 2014 só serão divulgados em meados deste ano). O volume total de negócios no exterior em 2013 atingiu quase US$ 3 milhões, incluindo US$ 265 milcom a venda de direitos autorais.

A CBL só disponibiliza os dados relativos à venda de direitos autorais a partir de 2012 (quando esse volume havia sido de US$ 245 mil).

"Há alguns anos, eram apenas as editoras que investiam em lançamentos no exterior", conta a diretora da CBL. A situação mudou após a criação, há oito anos, do projeto Brazilian Publishers, uma parceria entre a CBL e a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), que reúne mais de 50 empresas do setor.

Redução de gastos

Por conta da deterioração da situação econômica no Brasil e da redução de gastos governamentais, as previsões em relação ao mercado editorial "não são nada boas", afirma Luís Antonio Torelli, o novo presidente da Câmara Brasileira do Livro.

Daí também a aposta na participação de feiras, como a de Bolonha, na Itália, a de Frankfurt, na Alemanha, ou ainda a Bienal do Livro no Rio, que ocorre em setembro. "O mercado está assustado", ressalta Karine Pansa. Municípios e governos estaduais já informaram que irão diminuir as compras de livros neste ano, diz ela.

Não são apenas as compras de livros didáticos que estão sendo reduzidas. As aquisições do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) também vêm caindo, de acordo com a CBL. "Algumas editoras têm praticamente toda a sua produção vendida apenas para o governo", diz a diretora.

Há temores de que cortes no Ministério da Cultura possam afetar também o programa de divulgação da literatura brasileira no exterior.

Para reforçar as possibilidades de vendas em outros países, participam deste salão parisiense apenas autores com livros já traduzidos na França ou que estão prestes a ser lançados no mercado francês.

Segundo dados da Fundação Biblioteca Nacional, desde 2009, 95 títulos brasileiros foram traduzidos para o francês por meio da bolsa de apoio à tradução. Em 2014, foram 21 títulos. Muitas das cerca de 30 traduções publicadas por ocasião do salão receberam o apoio desse programa.

Entre os escritores que participam do salão parisiense há nomes famosos como Paulo Coelho, Milton Hatoum, Nélida Piñon, Ana Maria Machado e Luiz Ruffato, e autores da nova geração, como Michel Laub, Daniel Galera e Fernanda Torres.

O estande brasileiro, de 500 m², recriou em sua decoração um livro, cujas páginas em branco serão iluminadas com diferentes cores, uma referência também ao tema "um país de muitas vozes".

O Salão do Livro de Paris, que reúne editoras de 50 países, vai até o dia 23 de março. São esperados cerca de 200 mil visitantes.

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