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Artista português utiliza explosivos para 'esculpir' obras em paredes de prédios

11/03/2011 09h57

 

Um jovem artista português, Alexandre Farto, usa explosivos para criar esculturas e retratos em paredes de prédios antigos de Lisboa e outras cidades da Europa.

Farto, de apenas 23 anos, desenvolveu uma técnica usando explosivos, grafite, restos de cartazes e até retratos feitos com metal enferrujado para criar retratos e frases.

O artista disse à BBC Brasil que primeiro marca as várias camadas com spray e depois começa a "escavar" seus retratos, com ajuda de explosivos.

"Faço a escultura em cimento forte, depois aplico cargas explosivas, tapo tudo com estuque (argamassa) e depois arrebento todas ao mesmo tempo. E filmo em slow motion (câmera lenta)."

"Tento com o meu trabalho escavar as várias camadas que compõem o edifício da história, pegar nas sombras deste modelo de desenvolvimento uniformizador para tentar compreender o que se encontra por detrás", disse o artista.

Para fazer seus grandes retratos em muros e fachadas de prédios, Farto às vezes conta com a ajuda de amigos. "Quando é legal (o uso do muro ou fachada) e a dimensão é grande", explica o artista.

Farto conta que os retratos geralmente não surgem a partir de pedidos, não são encomendados. "São retratos, alguns tirados ou feitos por mim, outros recolhidos de pesquisa e trabalhados. Tem em comum serem de pessoas anônimas, que vivem em cidades, gosto da ideia de escavar e cravar um rosto numa cidade, quase como dando um rosto à cidade."

“(É) uma dissecação semi-arqueológica na procura de uma base funcional, de uma essência que se perdeu na sobreposição de camada sobre camada, uma base cultural que foi perdendo a nitidez ao passar de geração em geração.”

Escolha

Farto conta que muitas vezes escolhe o lugar onde fará suas esculturas. No entanto, tem recebido convites para fazer suas intervenções em vários locais.

Seus trabalhos estão espalhados por vários locais do mundo como as cidades portuguesas de Lisboa, Porto, além de capitais como Londres, Moscou, Bogotá, e cidades como Medellín, Cali (na Colômbia), Nova York, Los Angeles, Grottaglie (sul da Itália).

O tempo gasto em cada trabalho de Farto, também conhecido como Vhils, varia, mas um trabalho em um prédio de dois andares, pode tomar um dia inteiro, por exemplo.

“Não sou eu quem determina o aspecto final do trabalho. Nunca tenho e nem quero ter o controle total do que faço –gosto do inesperado e do aleatório”, diz Farto.

O artista português afirma que se interessa pelo efêmero.

“O elemento que sempre tentei trazer da rua e da pintura de rua, para outros ambientes ou espaço interiores, é esse caráter efêmero das coisas. O meu trabalho não é estático, não está ali pendurado para durar, pretende trazer esta efemeridade para campos que institucionalmente não suportam esse elemento.”

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