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Quem é David Hockney, o artista vivo mais valioso do mundo?

David Hockney posa em frente a vitral criado por ele na abadia de Westminster, em Londres  - Victoria Jones/Pool/AFP
David Hockney posa em frente a vitral criado por ele na abadia de Westminster, em Londres Imagem: Victoria Jones/Pool/AFP

Alessandra Baldini

De Nova York (EUA)

21/11/2018 13h51

David Hockney, 81 anos, venceu Jeff Koons e se tornou o artista vivo mais caro da história. Em um duelo de dez minutos no telefone, uma tela icônica pintada em 1972 pelo pintor de Yorkshire foi arrematada durante leilão na Christie's, em Nova York, por US$ 90,3 milhões (cerca de R$ 340 milhões), um valor recorde.

Combinando os dois temas em que Hockney estava trabalhando naqueles anos, as "piscinas" e "retratos duplos", "Retrato de um Artista (Piscina com Duas Figuras)" é, com razão, uma das pinturas mais famosas do artista, reproduzido na capa de muitas monografias e exibido na retrospectiva internacional organizada para comemorar seu 80º aniversário.   

"Retrato de um Artista (Piscina com Duas Figuras)" (1972), de David Hockney - Reprodução - Reprodução
"Retrato de um Artista (Piscina com Duas Figuras)" (1972), de David Hockney
Imagem: Reprodução


A pintura retrata um homem vestido da cabeça aos pés na beira de uma piscina olhando para outro homem nadando em direção a ele. O primeiro homem é Peter Schlesinger, o ex-companheiro do artista e um de seus ex-alunos na Universidade da Califórnia em Los Angeles. A tela foi feita na época em que a grande história de amor entre professor e aluno terminara. Desta forma, o nadador poderia ser o novo amante de Schlesinger.   

Em pé no salão da Christie's no Rockefeller Center e um longo aplauso, ele recebeu bem o momento em que o martelo do batedor certificou como "vendido" a pintura do artista de Bradford. Na véspera, a casa de leilões havia estimado "Retrato de um Artista" em US$80 milhões, chamando-a de "uma das grandes obras-primas da era moderna".

Entre os recentes donos da pintura, realizada para uma exposição de 1972 na Galeria André Emmerich, em Nova York, havia também o magnata produtor David Geffen, que em 1995 passou a obra para uma figura não revelada ao vendedor atual, o bilionário britânico Joe Lewis, proprietário do Tavistock Group e do time de futebol Tottenham Hotspur.   

No distante ano de 1972, Emmerich havia vendido a pintura por US$ 18 mil. Logo depois, o comprador a vendeu por quase três vezes mais. O recorde anterior de Hockney, estabelecido este ano, foi de US$ 28,5 milhões. O registro de um trabalho de um artista vivo vendido em leilão pertencia a escultura "Balloon Dog", de Koons, arrematado em 2013 por US$ 58,4 milhões.  

O pintor britânico David Hockney, 74, consagrado pelos seus quadros de paisagens, expõe algumas de suas obras criadas com um iPad - Alfredo Aldai/EFE - Alfredo Aldai/EFE
O pintor britânico David Hockney expõe algumas de suas obras criadas com um iPad
Imagem: Alfredo Aldai/EFE

Líder do movimento pop art

David Hockney, nascido em 1937, pintor, desenhista, gravador, fotógrafo, entre os líderes do movimento pop art dos anos 1960, está entre os artistas britânicos mais influentes do século 20. Estudante no Royal College of Art mudou-se para Los Angeles, depois de uma década (nos anos 1980) com foco em fotografia de paisagens de Yorkshire, o artista fez seu retorno à Califórnia em 2013.

Em qualquer de seus trabalhos é possível encontrar uma espécie de obsessão pelo duplo, de lados diferentes dos quais se pode observar a mesma coisa, um desafio à representação: como vemos o mundo e como ele pode ser capturado em duas dimensões?

Em 2017, a Tate Modern em Londres dedicou uma grande exposição retrospectiva a Hockney por ocasião de seus 60 anos de arte, um autor que não parou de experimentar e que já trabalha há alguns anos com seu novo instrumento no ipad, usado como uma paleta para esboços, desenhos, colagens.

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