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Neschling é conduzido sob escolta policial a sessão da CPI do Municipal

Suamy Beydoun/Futura Press/Estadão Conteúdo
O maestro John Neschling, ex-diretor artístico do Teatro Municipal de São Paulo Imagem: Suamy Beydoun/Futura Press/Estadão Conteúdo

Em São Paulo

14/09/2016 12h25

Após autorização do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o maestro John Neschling foi conduzido nesta quarta-feira (14), de forma coercitiva, sob escolta policial, à Câmara Municipal paulistana, para participar de acareação com o ex-diretor da Fundação Teatro Municipal José Luiz Herência.

Neschling, Herência, o ex-diretor do Instituto Brasileiro de Gestão Cultural (IBGC) William Nacked e o secretário de Comunicação Social da Prefeitura, Nunzio Briguglio Filho, são investigados pelo Ministério Público Estadual em um procedimento criminal por suspeita de participarem de um esquema que desviou pelo menos R$ 15 milhões da fundação.

Herência e Nacked são réus confessos e assinaram acordo de deleção premiada com a promotoria. Nunzio e Neschling negam as acusações.

Afastamento

Neschling foi afastado da direção artística do Teatro Municipal de São Paulo e da regência da Orquestra Sinfônica Municipal no dia 5. 

Em nota divulgada à imprensa, o Instituto Brasileiro de Gestão Cultural, organização social responsável pela administração do teatro, anunciou a saída de Neschling sem detalhar as motivações. O comunicado também afirmava que as "apresentações do Teatro seguem inalteradas, com a estreia mundial do espetáculo 'Titã', com o Balé da Cidade de São Paulo e a Orquestra Sinfônica Municipal, no próximo sábado, 10 de setembro". A regência dos espetáculos previstos deve ficar a cargo do ex-assistente de Neschling, Eduardo Strausser.

Também em nota, Neschling confirmou seu afastamento e classificou a decisão como um "ato que unilateralmente pretendeu extinguir de forma ilegal e arbitrária o contrato antes celebrado e que, como tal, assim será objeto de providências legais, sujeitas a avaliação conjunta com meus advogados".

No comunicado, o maestro reafirmou sua inocência e disse que não participou "de nenhum esquema, de nenhum tipo de falcatrua". "Sempre julguei que aquele que é inocente deve permanecer onde está para aguardar com tranquilidade a investigação em todos os âmbitos. Meu compromisso é com a verdade e com o meu público e permanecer no Teatro é a melhor forma de ser fiel aos meus compromissos", completou ele, que também falou em traição por parte de "todos aqueles que um dia disseram prezar meu trabalho, a cultura brasileira e o Teatro Municipal, e que hoje cedem à mentira e a pressão do Ministério Público, para manter em pé um projeto político".

O caso é investigado pelo Ministério Público Estadual e por uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara Municipal de São Paulo. A suspeita dos promotores é de que Neschling contratava artistas internacionais com cachês acima do padrão e, em troca, era contratado para se apresentar no exterior. Um produtor, Valentin Proczynski, faria a intermediação.

O Tribunal de Contas do Município (TCM) também rejeitou as contas do Municipal referentes ao ano de 2014 e julgou irregular o contrato firmado com o Instituto Brasileiro de Gestão Cultural.

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