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Na Sérvia, os músicos pegaram o "corona blues"

08/08/2020 14h08

Belgrado, 8 Ago 2020 (AFP) - Em Belgrado, em uma antiga gráfica que se tornou uma grande espaço para o rock independente, o grupo "Dingospo Dali" ensaia, embora às vezes sem vontade. Seus projetos foram interrompidos pelo coronavírus, que afetou a indústria da música.

"Perdi muitos trabalhos como músico e engenheiro de som", conta à AFP Nikola Vidojevic, de 33 anos, baterista desse grupo de rock. "A pandemia interrompeu tudo".

O grupo toca em um estúdio com vista para o rio Sava, em uma antiga gráfica e casa de edição chamada BIGZ, onde muitos artistas ensaiam e gravam.

Essa obra arquitetônica dos anos 1930, que até a dissolução da antiga Iugoslávia abrigou uma das maiores gráficas dos Bálcãs, foi nos últimos 15 anos um templo do rock independente e um centro de arte alternativo.

A existência da BIGZ ajuda os artistas, para quem a precária situação de um país onde o salário médio é de cerca de 450 euros, se tornou insustentável por causa da pandemia.

Segundo o Instituto de Estatísticas, cerca de 57.000 pessoas trabalham no setor cultural. Essa indústria representa entre 3,4% e 7,1% do PIB sérvio, segundo o site serbiacreates.rs.

- Invisíveis -A maioria dos músicos sérvios não têm outra fonte de renda, conta Nikola Jovanovic, dono de um espaço de edição e organizador de shows.

"Fomos ao Ministério da Cultura, ao da Economia e à Câmara do Comércio e não tivemos resposta", conta.

A Câmara do Comércio informou à AFP que examinará "todos os aspectos da crise" para buscar soluções, ainda que admite que o lucro por direitos autorais reduziram em cerca de 50% neste ano.

- "O festival não acontecerá" -"Pela primeira vez em 20 anos, não haverá festival", lamenta Zdravko Vulin, da direção do Exit, evento que teve Manu Chao e The Cure entre artistas da programação, e que estava marcado para julho, posteriormente adiado para agosto, até que foi cancelado por causa da pandemia.

Milhares de empregos estão ameaçados, alerta. E pede ajuda pública, similar a feita pelo Reino Unido ao setor cultural.

Alguns músicos já estão desempregados. Sreten Kovacevic, de 63 anos, diretor da Audio-konstruktor, responsável pela construção dos cenários do Exit e Nisville, demitiu sete dos seus oito funcionários.

"É uma catástrofe para toda a indústria", afirmou à AFP Ivan Blagojevic, de 60 anos, diretor do festival de Nisville, onde o público já ouviu artistas como Candy Dulfer e Tony Allen.

O empresário gostaria de poder organizar o festival em setembro, mas a forma como a pandemia evolui não deixa espaço para esperança.

Por semanas, a Sérvia apresentou mais de 400 casos diários e contabiliza mais de 600 mortos.

A cantora do Dingospo Dali, Sandra Vidojevic, de 31 anos, é pessimista: "Saí do emprego para me dedicar à música, talvez não devesse ter feito isso", relata a ex-funcionária da companhia aérea Etihad.

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