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A moda não escapa da greve em Paris

14/01/2020 21h45

Paris, 15 Jan 2020 (AFP) - A Semana de Moda masculina começou nesta terça-feira em Paris com mais desfiles e novas marcas, mas a capital mundial do luxo também se vê afetada pela greve dos transportes que entrou em seu 41º dia consecutivo.

A marca francesa Christophe Josse se viu obrigada a adiar seu desfile, previsto para 23 de janeiro, último dia da Semana de Alta Costura, evento que acontece depois da semana de moda masculina.

O motivo são os "atrasos" nos prazos de entrega de seus fornecedores causado pela greve, que impossibilitaram que terminasse sua coleção primavera-verão a tempo, segundo um comunicado da marca.

Uma polêmica reforma do sistema previdenciário desencadeou uma greve histórica na França, que apesar de ter suavizado nos últimos dias, continua complicando os deslocamentos na capital, com os serviços de metrô e ônibus reduzidos e um aumento no tráfego rodoviário.

A idiossincrasia da Semana de Moda representa um desafio maior diante da greve. Com uma dezena de desfiles que acontecem de hora em hora em diferentes pontos da cidade, os organizadores se viram obrigados a duplicar o número de ônibus à disposição de compradores a jornalistas, passando por fashionistas, que vieram de todo o mundo.

"O desclocamento se transformou em um pesadelo. As pessoas precisam no mínimo de uma hora para chegar para trabalhar (nos desfiles). Cruzar a cidade em alguns momentos do dia põe à prova nossa paciência", disse à AFP uma estilista, que pediu anonimato.

Disse também que parte dos funcionários que contrataria para a Semana de Moda, vindos principalmente da Itália, Espanha e Bélgica, desistiram de viajar para Paris devido à greve. "Não compensa", disse.

O estilista belga Dries Van Noten recomendou no convite de seu desfile que acontece na quinta-feira que os convidados usassem as linhas automáticas do metrô, que circulam normalmente.

Apesar de tudo, os desfiles previstos para o início da Semana de Moda masculina outono-inverno aconteceram normalmente.

- Peças que resistem à passagem do tempo -Abriu o evento a chinesa Sankuanz, apostando em silhuetas em preto salpicadas de piercings e tatuagens.

A estreia de Rhude, marca com base em Los Angeles, atraiu todos os olhares com um estilo que foge da pretensão de exaltar o conforto. Os modelos desfilaram cobertos de plumas e com looks em couro preto com grandes bolsas, acessório que vem sendo adotado com grande entusiasmo pelos homens.

Seu estilista de origem filipina Rhuigi Villaseñor disse à AFP que seu objetivo era criar peças que fossem práticas ao mesmo tempo que "sobrevivessem à passagem dos anos e das modas".

A Semana de Moda masculina terá 53 marcas até domingo, incluindo três espanholas: Loewe, - propriedade da gigante do luxo francês LVMH -, Palomo Spain e Oteyza, que estreia no evento.

A marca francesa Celine, nas mãos do estilista icônico Hedi Slimane desde 2018, deixou o evento e vai apresentar um desfile misto na Semana de Moda feminina.

Outra grande ausência é o georgiano Demna Gvasalia, que em setembro do ano passado abandonou de forma inesperada sua marca Vetements, fundada junto com seu irmão.

O americano Virgil Abloh, estrela dos milenials, volta à passarela para apresentar as últimas coleções de sua marca Off-White e da linha masculina da Louis Vuitton, depois de passar um tempo afastado das passarelas por recomendação médica, que o aconselhou a diminuir o ritmo e trabalhar de casa.

app/eg/cr

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